A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

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Em Curso A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por Croco em Sab 29 Abr 2017, 17:21

A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro
A inativação de explosivos, o resgate em montanha, a proteção do Ambiente, os incêndios, as Honras de Estado são áreas em que muitos militares da GNR investiram e que vão muito além do serviço policial mais tradicional. Aqui se contam histórias de risco, resgate e salvamento, dentro e fora do país


Os cabos Angueira e Costa e o capitão Ricardo Póvoa são peritos em desativar explosivos e os dois primeiros estiveram em cenários de pós guerra como Iraque ou Timor. O tenente-coronel Silva Vieira especializou-se na proteção da Natureza e conseguiu criar uma rede em Setúbal que envolve Ministério Público e associações na aplicação da lei que criminaliza os maus tratos a animais de companhia. O major Adriano Cristiano é mestre de equitação e já investiu, a cavalo, contra os hoolingans ingleses no Algarve, no Euro 2004. O capitão Cláudio Quelhas participou na primeira missão de resgate em montanha fora do território português, nos Picos da Europa, em Espanha. E o capitão André Gonçalves é chefe de uma brigada helitransportada e já retirou pessoas de casas em chamas. Estes homens são o rosto de uma GNR moderna e cada vez mais especializada.


Aquela que é a maior força de segurança do país, em número de elementos e área territorial, vai completar 106 anos de existência no dia 3 de maio. Entre os vários desafios que enfrenta estão o progressivo envelhecimento da corporação (a média etária é de 39 anos) e a saída de mais de 1000 elementos nos últimos quatro anos. Este ano vai abrir mais um curso de formação geral para 450 novos militares.


O porta-voz do comando geral da GNR, Major Bruno Marques, sublinhou que a estratégia de futuro da Guarda, pensada até 2020 pelo comandante geral, Manuel Couto, passa muito pela "melhoria da performance e do serviço policial" e ter mais "tecnologia ao serviço da atividade operacional". A Guardaquer aperfeiçoar-se nos "domínios da cibersegurança, para ganhar capacidade de prevenir crimes que tenham origem no ciberespaço".

Para o presidente da Associação de Profissionais da GNR (APG), a maior organização na corporação, o futuro estaria antes em "investir nos 397 postos territoriais do país, muitos deles isolados, e nos destacamentos, que são o parente pobre da Guarda". As especialidades que o DN abordou na reportagem "estão bem servidas e têm tido investimento", refere.

A Inspeção Geral da Administração Interna recomendou em novembro de 2016 o encerramento dos postos territoriais de horário reduzido na GNR, que estão apenas abertos ao público no período das 9.00 às 17.00, com um único militar. A medida ainda não foi executada "porque tem havido muita oposição das populações do interior, algumas já perderam o centro de saúde ou a escola e também não querem perder o posto da GNR", explica César Nogueira.


Entre a realidade do terreno e as metas ambiciosas do comandante geral, como a de ter "malha digital em todos os recursos da Guarda", vai uma distância muito grande. "Ainda temos viaturas de serviço a circular com mais de 800.000 quilómetros", exemplifica o dirigente da APG, acrescentando que os novos carros que têm sido distribuídos vão sobretudo para a valência do Trânsito.


Muito além do território nacional, as ameaças globais também representam novos desafios para esta força nascida a 3 de maio de 1911. "A globalização das ameaças impõem o reforço da cooperação com a Guardia Civil e a Gendarmerie Royal Marroquina, por necessidades de serviço e proximidade territorial, sem descurar a intenção de criar cargos funcionais para oficiais da GNR na EUROPOL e DPKO (Departamento das Operações de Manutenção de Paz das Nações Unidas", concluiu o major.
Explosivos "Só em Timor: uma árvore de granadas"
O Centro de Inativação de Explosivos, da GNR, sob o comando do capitão Ricardo Póvoa, conta com alguns dos operacionais mais experientes no terreno, que já cumpriram missões espinhosas em territórios difíceis como o Iraque ou Timor. 
Foram treinados para desmontar engenhos convencionais (bombas, granadas) e não convencionais ou improvisados. E nesta área em que são especialistas, os cabos Angueira e Costa, veteranos, nunca viram tantas relíquias como em Timor. 
"Apareciam bombas desde a Segunda Guerra Mundial até aos dias de hoje, material explosivo deixado pelos portugueses, pelos indonésios e pelos ingleses", recorda o cabo Costa. "Às vezes fartava-me de rir com as coisas que apareciam. Uma vez apanhei três granadas de mão que estavam no topo de uma árvore que ali cresceu e as envolveu. Tive de ir lá, aquilo estava a dois metros de altura, as granadas quase não se viam. Só em Timor né?".


Uma vez, um local achou estranho um barco de pesca carregado com garrafas de cerveja muito antigas e chamou a GNR. "Era explosivo improvisado dentro de garrafas de cerveja antigas que os pescadores usavam para a pesca. Fomos até ao local recolher, transportar para fora dali para destruir o barco e destruir depois o material", conta o cabo Angueira, que cumpriu várias missões em Timor, quase todas nos explosivos mas uma delas a assegurar a ordem pública. O colega Costa também esteve m Timor três vezes e orgulha-se de ter "intervencionado uma bomba de avião de 100 e tal quilos, da Segunda guerra mundial, uma peça histórica".


O capitão Póvoa, o jovem comandante destes veteranos, conta que as únicas baixas que esta unidade de elite preparada para detetar e desmontar explosivos teve aconteceram dentro do próprio país. Uma ironia. "Alguns morreram e outros ficaram amputados, sempre em operações de manuseamento de pólvora", afirma o oficial. E recordou o incidente em Tavira, em 2007, na carreira de tiro, quando um militar morreu e três ficaram feridos durante um exercício que envolvia manuseamento de pólvora.


"Preferimos mexer em 100 quilos de TNT do que em 100 gramas de pólvora", garante o cabo Angueira, que sobreviveu às bombas artesanais e outros explosivos improvisados no Iraque.


Angueira e Costa foram no primeiro contingente da GNR para o Iraque, no que foi uma estreia absoluta desta força de segurança numa missão de pós guerra. No dia da partida, a 12 de novembro de 2003, os telejornais abriram com a notícia de um violento atentado terrorista com um camião armadilhado num quartel em Nassíria, precisamente onde os portugueses iriam ficar instalados juntamente com os carabinieri italianos. "Estávamos no aeroporto para embarcar quando ouvimos isso. 
Depois da notícia, tivemos de desligar os telefones, era toda a gente a ligar, a família, amigos. Morreram ali 18 ou 19 militares italianos. Quando chegámos tivemos de ajudar a reabilitar o quartel. O edifício foi ao chão, tinha uma cratera com seis ou sete metros de profundidade. A nossa missão foi voltar a tornar seguro o nosso alojamento", conta o cabo Angueira. O terreno era mais complicado. Ao contrário de Timor, os militares não podiam confiar na população local para os informar sobre a presença de possíveis engenhos explosivos neste ou naquele local. 
"Os tradutores ajudavam mas as nossas investigações acabaram por ser muito resumidas", conta. O cabo Costa participou também na operação na base logística da ETA em Óbidos, em 2010, em que a primeira avaliação do terreno foi feita pelo robô de deteção (veículo de controlo remoto). "Retirámos 1500 quilos de explosivos da casa, que foram destruídos numa pedreira".


SEPNA O ex-caçador que agora defende animais
O tenente-coronel Silva Vieira, 46 anos, comandante do SEPNA no comando de Setúbal da GNR, tentou entrar para o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente assim que este foi criado, em 2002, mas foi impedido na altura por ter carta de caçador. O oficial comandava, à época, o destacamento de Ponte de Sor (Portalegre) e assistiu naquela zona do Alto Alentejo à criação das primeiras equipas do SEPNA. "Na altura a carta de caçador era impeditivo por causa do conflito de interesses com a fiscalização dos caçadores. Agora já não é", conta. "Encostei a espingarda, até hoje. Agora procuro caçar caçadores ilegais, é um desporto perigoso mas mais saudável", graceja o tenente coronel Silva Vieira. O oficial acabou por se tornar um grande defensor dos animais. Foi o responsável pela criação, em Setúbal, de uma rede de articulação entre GNR, Ministério Público e associações protetoras dos animais para melhor se aplicar a nova lei que criminaliza os maus tratos a animais de companhia. As entidades estavam todas de costas voltadas. "Fui ao Ministério Público e disse: "Preciso de alguém que esteja ligado à causa ambiental".
 Arranjaram uma procuradora que gosta desta matéria. Chamámos as autarquias, os médicos veterinários. Sentaram-se aqui à mesa 13 associações de defesa dos animais, foi um deleite. Alertámos as associações para trabalharem em conjunto e deixarem de fazer sequestros de animais à noite, estão sujeitos a levar um tiro das pessoas porque estão a cometer um crime e a esconder a prova". Os resultados estão à vista: no ano passado à Linha SOS Ambiente e Território chegaram denúncias de 134 crimes de maus tratos a animais e 79 de abandono relativos a 528 espécies diferentes, só no distrito de Setúbal.
"Desde o caso do Simba até agora foi um avanço enorme", sublinha o oficial. O Simba foi um cão de raça leão da rodésia alvejado por um vizinho em março de 2015 depois de o animal ter invadido a sua propriedade em Idanha-a-Nova. O caso invadiu as redes sociais. "O vizinho que matou o animal foi condenado pelo crime de dano. Na altura, a justiça ainda tinha muita insegurança a condenar. Nós tivemos aqui um caso de um indivíduo que matou a tiro um cão errante que entrou no seu terreno, no dia 25 de abril de 2015. A necrópsia confirmou que o animal faleceu em resultado do segundo disparo. Ao abrigo da nova lei o homem foi condenado a dias de multa, 2704 euros e ainda à pena acessória de inibição de ter animais de companhia durante um ano e à perda de arma a favor do Estado. E estamos a a falar de uma pessoa de parcos recursos". O tenente-coronel fala com paixão desta área relativamente nova para o SEPNA. "Já fizemos duas detenções, o que é difícil".


Um dos detidos pelos militares do SEPNA de Setúbal foi um homem que cegou o seu cão e outro disparou sobre o seu cão quando a Guarda o foi confrontar a propósito de uma denúncia de maus tratos. "Ai é mau trato, é mau trato? Pum!" recordou o oficial. O tenente coronel Silva Vieira frisou que o serviço tem várias outras áreas de intervenção como a fauna e flora, a fiscalização às ameaças a espécies protegidas, as florestas, turismo e desportos náuticos, o estacionamento ilegal nas dunas, a exploração de inertes (as lamas que resultam das Estações de Tratamento de Resíduos Urbanos). "Temos uma equipa de exploração de informações no CDOS por causa do sistema de proteção da floresta contra incêndios. Ali é estabelecida a ligação aos postos de vigia, patrulhas da guarda e núcleos de proteção ambiental (NPA)". Os NPA investigam a causa dos incêndios, se são dolosos ou negligentes. Se forem dolosos ou com intenção, a investigação passa para a Polícia Judiciária.


Cavalaria "Já ando a cavalo desde criança"
O major Adriano Cristiano, 38 anos, é o porta-voz da Unidade de Segurança e Honras do Estado (USHE), e mestre de equitação. Natural de Beja, onde tem terra e cavalos, o oficial nunca imaginou outro destino que não fosse em cima de uma sela. "Já ando a cavalo desde criança. Quando entrei para a GNR, em 1997, fiz o curso de cinco anos da Academia Militar e já ia predestinado para a Cavalaria", conta o major, que falou com o DN no quartel do regimento de cavalaria da Ajuda, em Lisboa. O curso de Cavalaria dura cinco meses.
No Exército, o major Cristiano também poderia evoluir na equitação mas depois não tinha a vertente operacional que existe na Guarda. Dentro da USHE, e quando ainda era capitão, Adriano Cristiano passou por todas as valências: policiamento a cavalo, que ainda se faz em Lisboa, ordem pública e docência. Mas a verdadeira prova de fogo foi o Euro 2004, no Algarve, quando a cavalaria teve de investir contra os hooligans ingleses. "No Euro 2004, atingiram os nossos cavalos diversas vezes com pedras, garrafas, vários objetos. Mas os cavalos têm um equipamento próprio que protege a nuca e as partes ósseas. Na vertente ordem pública, o cavaleiro também vai protegido, com o equipamento que levam os militares do grupo de intervenção".


Atualmente, o major está com a parte operacional do planeamento e relações públicas. Para o DN, envergou o fardamento de honras a chefes de Estado e o seu cavalo também foi trajado a preceito. "Quando prestamos honras a chefes de Estado as calças dos cavaleiros são brancas e o equipamento do cavalo é dourado e vermelho. Estas cores mudam quando as honras são prestadas a embaixadores residentes: os calções são da cor da farda, azul, e o equipamento do cavalo é azul e verde".
E explicou o figurino das honras a chefes de Estado: estes são recebidos no Mosteiro dos Jerónimos e faz-se o trajeto a cavalo pela Avenida da Índia até ao Palácio Nacional de Belém. "Atualmente com o Presidente Marcelo, na tentativa de mostrar todas as realidades do país, estes cerimoniais têm sido descentralizados. Já fizemos no Porto a receção aos reis de Espanha, fizemos em Coimbra e estivemos em Évora na receção à Presidente do Chile, Michelle Bachelet". Para além do fardamento, muda também o número de cavalos empenhados consoante a figura a quem se presta honras. "Para chefes de Estado são cerca de 100 cavalos e 100 cavaleiros. 
Para embaixadores residentes, são à volta de 80 cavalos. Temos um cerimonial ainda maior que é usado aquando de tomadas de posse do Presidente da República: 120 cavalos".


A preparação do cavalo para estes cerimoniais começa na véspera com a preparação das tranças da crina. No próprio dia, pode demorar horas e implica escovar o animal, preparar a crina, que não pode ter mais de quatro dedos de comprimento, pintar os cascos com tinta preta e colocar a base prateada à volta.
 No aquartelamento da Ajuda existem 153 cavalos, todos de raça lusitana. "O cavalo lusitano, fruto da personalidade muito humilde e submissão e empatia que cria com o cavaleiro, está apto a fazer todas as valências da USHE. Mas claro que um cavalo novo acabado de desbastar (preparar) dificilmente reúne condições para ir para a ordem pública". Na realidade, os cavalos na GNR têm também uma carreira com um tempo limite. "A sua aplicação prática vai até aos 20 ou 22 anos de vida. A partir daí,só podem ir para o serviço de patrulhamento ou para hipoterapia. Normalmente vivem até aos 27 ou 28 anos".


O major destaca a forte componente que a Cavalaria da GNR tem com a sociedade civil, através da escola de equitação e da hipoterapia. "Temos sempre uma lista de espera com centenas de candidatos para entrarem na escola de equitação porque o pagamento mensal é simbólico quando comparado com o que se pratica fora". A escola de equitação da GNR tem vaga para 12 a 13 alunos e tem as várias classes, até ao nível sela 4 que confere o estribo de bronze, o nível mínimo para a competição em provas nacionais federadas. Os alunos têm idades dos nove aos 20 anos. Na hipoterapia, a GNR desenvolveu protocolos com várias entidades.


GIPS de Montanha "Os meus avós são da Estrela"
O capitão Cláudio Quelhas, 33 anos, já passou por todas as valências no Grupo de Intervenção, Proteção e Socorro (GIPS) da GNR mas o que o faz correr com gosto é o resgate em montanha, área em que é um dos poucos especialistas do país. "Desde cedo que faço atividades de montanha. Os meus avós são da Serra da Estrela. E depois da Academia de Oficiais, comecei a ter muito gosto nisto e eu próprio desenvolvi competências que me permitissem andar nesta vida", contou. Em 2010, quando surgiram as corridas em montanha na Serra da Estrela, Cláudio Quelhas tornou-se ultra maratonista.
Tomei-lhe o gosto, faço grandes distâncias na Serra". Foi por causa desse gosto que conheceu o ultramaratonista João Marinho, que desapareceu na neve, nos Picos da Europa, em novembro de 2014. Esse encadear de coincidências fez com que o capitão Cláudio Quelhas viesse a participar na primeira e única missão internacional de busca em montanha que a GNR teve até hoje. "A família do João, como me conhecia, veio-me perguntar qual era a possibilidade de a GNR participar nas buscas em Espanha.


Como havia procedimentos diplomáticos pelo meio, e tudo seria em território espanhol, eles mexeram os seus canais. Conseguiram apoio político e depois foi feita a pressão diplomática e a Guarda foi". . A GNR só foi ativada sete ou oito dias depois do desaparecimento do ultramaratonista. "Não fomos aditar capacidades novas aos espanhóis, que têm um nível de desenvolvimento muito maior, já têm 60 ou 70 anos de experiência em montanhas muito grandes: Pirinéus, Picos da Europa, Serra Nevada, Maciço Central de Madrid, montanhas onde o resgaste é diário", refere o capitão, com humildade.


O grupo de resgate foi composto de quatro binómios cinotécnicos espanhóis e seis binómios da GNR). "Foram sete dias que estivemos lá, muito intensos: começávamos muito cedo, era zona de alta montanha com muito risco associado, andávamos sempre no limite. Com a nossa ida, aumentou a responsabilidade das entidades envolvidas nisto. Se nós íamos, as operações de busca tinham de continuar com força. Foi extenuante a nível físico e psicológico". E o pior era a permanente incerteza e ausência de sinais de vida: "Não tínhamos provas de ele estar vivo. Ficou incomunicável. Tínhamos todo o maciço central dos Picos da Europa para bater".


"Houve uma tempestade grande de neve na altura em que ele desapareceu. O João deve ter morrido de hipotermia, soterrado com neve de 1,50 metros a dois metros de altura", lamenta. Na altura, fizeram-se todos os esforços de busca: com helicópteros, com cães, em zonas de precipício mas não se conseguiu encontrar rasto. Prolongar a missão era impossível. "Se ele fosse um cidadão espanhol, as operações nem tinham demorado tanto tempo", admite o capitão Cláudio Quelhas. O corpo do ultramaratonista português só veio a aparecer em maio de 2015.


"Concluiu-se que não foi nenhum acidente, nem caiu em buraco ou ravina. Desorientou-se simplesmente. Estava até perto do trilho que o iria levar de um sítio para o outro. Estava a cerca de 2100 metros de altitude. Tínhamos estado nessa zona, mas era impossível achá-lo pois estava coberto por mais de um metro de neve". Em montanha aguentam-se 72 horas numa situação limite dessas, explicou. "Nós já saímos para a missão ao 10º dia do seu desaparecimento. Não levávamos muitas esperanças". Cláudio Quelhas já teve várias funções no GIPS, onde entrou há 11 anos, em outubro de 2006. " Tive a formação para integrar esta força, fiz o curso de chefe de brigada helitransportada da Lousã e o curso de ambulância e transporte da Escola Nacional de Bombeiros em 2007. No final de março de 2007 dei um curso para formar os guardas que iriam integrar esse ano o GIPS em Portalegre, o curso de primeira intervenção em incêndios florestais".


No início de 2015, foi colocado no comando para desempenhar funções de coordenador de busca, resgate e montanha e desenvolveu a área em vários pontos do país. Agora, é coordenador das várias especialidades: montanha, sismo, mergulho subaquático. Tudo o que é radical parece assentar-lhe bem.
GIPS de Incêndios "Salvei pessoas de um fogo"
O capitão André Gonçalves,31 anos, entrou no final de 2010 para o Grupo de Intervenção, Proteção e Socorro (GIPS), e está na área de incêndios. "Quando somos novos temos muitas ambições mas, dada a missão específica do GIPS, a área dos incêndios é a que mais me fascina". O capitão Quelhas, do resgaste em montanha, foi o seu "trisavô" na Academia Militar. André Gonçalves é dois anos mais novo que o colega, estava a entrar para o GIPS quando o outro estava a ser promovido a capitão. André Gonçalves também fez a formação de montanha, e até gosta de fazer escalada nos tempos livres, mas apagar fogos é o que o move. "Já salvei pessoas de um fogo. Houve um incêndio no concelho da Lousã em que, ao chegarmos ao local, avistámos as casas isoladas no meio do povoamento florestal, ameaçadas. Iniciámos a avaliação e reconhecimento do terreno, íamos começar o combate quando reparámos que uma das casas estava a ficar cercada pelas chamas.
 Havia cinco pessoas no interior, três crianças e uma idosa. A nossa primeira preocupação foi retirá-las para zona segura porque era habitação antiga, em madeira e estariam em perigo", conta, ainda emocionado. Conseguiram salvar aquela família, que insistia em ficar e em defender os bens até à última. "Retirámos as pessoas, vieram na nossa viatura, e tivemos que entrar na casa e criar um perímetro de segurança. Garantimos que a casa não iria ser atingida pelas chamas. Éramos duas equipas de oito elementos, com duas viaturas ligeiras e muito pouca água".


O capitão Gonçalves é responsável pelo GIPS nos distritos de Leiria e Coimbra e é chefe da brigada helitransportada. "Fazemos avaliação do incêndio, os pontos críticos, os caminhos de fuga, se há habitações em perigo. É uma grande mais valia este trabalho, que exige muito treino e preparação psicológica".
http://www.dn.pt/sociedade/interior/a-desativar-bombas-ou-a-salvar-animais-estes-sao-os-militares-do-futuro-6253190.html
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por OPC em Sab 29 Abr 2017, 22:00

Espectacular, quase que me emocionava e sentia orgulho, não fosse o esta Guarda moderna estar a relegar a sua missão basilar e não existissem dezenas de Postos desprovidos de militares, meios e formação.

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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por COELHO.X em Sab 29 Abr 2017, 22:16

Quem ler este artigo parece uma mar de rosas.......passem nos Postos e vejam e tirem ilações!!! desorientado
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por JNSilva em Dom 30 Abr 2017, 00:59

Só me dá vontade de chorar. ...lindo....
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por Sem abrigo em Dom 30 Abr 2017, 10:59

O Patrulheiro do Territorial está em todas, é o primeiro a chegar, seja noite, dia, fins de semana, feriados 24 horas sobre 24 horas, mas dos mesmos não consta nada sobre este excelente artigo !  desorientado
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por moralez em Dom 30 Abr 2017, 12:32

Fico incrédulo com artigos destes...
Já o facto de a instituição (mais uma vez) deixar passar isto em claro, nem tanto.
Então estes é que são os militares do futuro? Então e os outros? São do passado? São para acabar?

_____________________________________________
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por corvo em Dom 30 Abr 2017, 22:08

Sem abrigo escreveu:O Patrulheiro do Territorial está em todas, é o primeiro a chegar, seja noite, dia, fins de semana, feriados 24 horas sobre 24 horas, mas dos mesmos não consta nada sobre este excelente artigo !  desorientado
 Nem é preciso... Smile Os Postos vão fechar Smile Smile Smile  o Policiamento de proximidade (para mim o PRINCIPAL) vai acabar ... Smile Smile Smile
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por Sem abrigo em Seg 01 Maio 2017, 07:51

corvo escreveu:
Sem abrigo escreveu:O Patrulheiro do Territorial está em todas, é o primeiro a chegar, seja noite, dia, fins de semana, feriados 24 horas sobre 24 horas, mas dos mesmos não consta nada sobre este excelente artigo !  desorientado
 Nem é preciso... Smile Os Postos vão fechar Smile Smile Smile  o Policiamento de proximidade (para mim o PRINCIPAL) vai acabar ... Smile Smile Smile
 
Ou faço uma perninha como calceteiro ou então vou para o desemprego, pois a única coisa que sempre fiz foi acalcar paralelo e alcatrão ... hmm
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por joao miguel silva em Seg 01 Maio 2017, 16:50

COELHO.X escreveu:Quem ler este artigo parece uma mar de rosas.......passem nos Postos e vejam e tirem ilações!!! desorientado
é tipo a revista da Guarda...
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por toinojaquim em Ter 02 Maio 2017, 10:25

Onde é que se tiram estas formações e valências?? É na Internet???? É que aqui onde estou, só chega o curso de patrulheiro.
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Em Curso Re: A desativar bombas ou a salvar animais: estes são os militares do futuro

Mensagem por corvo em Sex 05 Maio 2017, 09:33

toinojaquim escreveu:Onde é que se tiram estas formações e valências?? É na Internet???? É que aqui onde estou, só chega o curso de patrulheiro.
HeeHeeHee
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