Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

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Admin Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Cmdt Geral em Qua 04 Ago 2010, 14:38

Relembrando a primeira mensagem :


Ao longo dos tempos temos assistidos à partida de camaradas/colegas desta nossa profissão por vontade própria.


O suicídio nas Forças de Segurança.


Tenho a impressão que o número de suicídios têm vindo a aumentar nos últimos anos. Questão:

Porquê?


Infelizmente não sei a resposta a esta pergunta, mas podemos tentar restringir os factores e os contextos em que estes acontecem!

Problemas familares? Problemas económicos? Problemas profissionais? Um pouco de todos?

Após tentarmos identificar as possíveis causas, levanta-se a pergunta:


O que fazer para prevenir?


Que sinais podemos verificar num camarada com essas tendências? Como identificar os sinais? Como ajudar?


E nós? Estaremos nós a precisar de ajuda? Como fazer uma introspecção?






Convido todos os membros deste fórum a participarem nesta discussão, de preferência fundamentando o melhor possível as suas opiniões ou posições. Evitem o simples uso de smillies ou de expressões não desenvolvidas. O assunto é sério - tratêmo-lo como tal.


CG


Última edição por Cmdt Geral em Qua 04 Ago 2010, 16:07, editado 11 vez(es)
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Tomás Noronha em Ter 06 Set 2011, 09:05

 :bravo:
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por ROSINHA53 em Ter 06 Set 2011, 10:37

Completamente de acordo, a população conta apenas connosco. Os nossos problemas não existem para eles.

Bem haja por esta reflexão
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por AJF/MTJ em Ter 06 Set 2011, 11:12

Ideias escreveu: desde que entrei na Guarda esta melhorou muito.
Quem te conhece, sabe que não falas de cor!
Alguns opinam sobre tudo, apesar de lerem pouco, saberem pouco, pensarem pouco e discutirem construtivamente muito pouco! É a promoção da igonrância que resultou dos muitos anos de encerramento sempre no mesmo "quintal"!


Última edição por AJF/MTJ em Ter 06 Set 2011, 21:29, editado 1 vez(es)
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por genere em Ter 06 Set 2011, 15:29

"Antes de julgares a minha vida ou carácter...
Calça os meus sapatos e percorre o caminho que eu percorri, vive as minhas tristezas, as minhas dúvidas, as minhas alegrias!! Percorre os anos que eu percorri, tropeça onde eu tropecei e levanta-te assim como eu o fiz!!!
Cada um tem a sua própria história! E então, só aí poderás julgar-me..."
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Marie em Ter 06 Set 2011, 17:25

genere escreveu:"Antes de julgares a minha vida ou carácter...
Calça os meus sapatos e percorre o caminho que eu percorri, vive as minhas tristezas, as minhas dúvidas, as minhas alegrias!! Percorre os anos que eu percorri, tropeça onde eu tropecei e levanta-te assim como eu o fiz!!!
Cada um tem a sua própria história! E então, só aí poderás julgar-me..."







Forma muito profunda de dizer: colocar-se no lugar dos outros.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Ideias em Qui 08 Set 2011, 00:18

genere escreveu:"Antes de julgares a minha vida ou carácter...
Calça os meus sapatos e percorre o caminho que eu percorri, vive as minhas tristezas, as minhas dúvidas, as minhas alegrias!! Percorre os anos que eu percorri, tropeça onde eu tropecei e levanta-te assim como eu o fiz!!!
Cada um tem a sua própria história! E então, só aí poderás julgar-me..."



Não me cabe julga-lo, só voçê o poderia fazer, e muito menos avaliar o seu caracter, até porque não poderia concordar mais com as suas palavras.



O que lhe quero dizer, ou talvez recordar é que ser Guarda doi, e essa dor é a dor de quem dedica a sua vida à segurança dos outros.



Porque jurariamos pela nossa Patria, defende-la com a propria vida, senão para selarmos esse compromisso, para abdicarmos do direito de nos queixar-mos.



Não estou contra si, nem a julga-lo, nem tão pouco a diminuir a sua experiencia de vida na Guarda, apenas sinto que não tenho o direito de me queixar, pois aceitei este juramento.



Em tempos de crise temos de nos animar e apoiar temos de realçar o positivo da nossa escolha, dar valor ao que temos, e o que temos é uma Nação cuja segurança depende de nós, da nossa coragem, da nossa fé, do nosso espirito de sacrificio.



Temos tambem a obrigação de olhar pelos nossos homens e mulheres, não convida-los ao desespero, dar-lhes alento, mostrar-lhes o caminho quando estão perdidos, olhar por eles para impedir que errem no julgamento dos outros, mas sobre tudo mostrar-lhes o lado positivo da questão.



Se vamos sofrer no caminho? Vamos, vamos sofrer muito, é garantido, mas olha, eu conto contigo.



Última edição por Ideias em Qui 08 Set 2011, 00:35, editado 1 vez(es) (Razão : O que diria um Soldado das tricheiras de 14-18, se ouvisse o meu lamento...)
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Almeida Pinto em Sex 09 Set 2011, 17:29

Ideias escreveu:
genere escreveu:Eu gostava de fazer uma pergunta aos camaradas.
Vocês são as mesmas pessoas do que quando entraram para a GNR?
Não se sentem mais revoltados, mais desmotivados, mais abandonados, menos gente do que quando entraram para a GNR?
Será que é preciso andar a rastejar para ter uma folga semanal durante o fim de semana?
Será que é preciso andar a controlar a escala para saber quando nos calha a noite ao fim de semana?
Quando é que poderemos combinar um simples jogo de futebol com os amigos com antescedência?
Quando vou recuperar a minha individualidade perante as pessoas e deixar de ser o Guarda?
Para quando teremos o apoio das chefias quando um serviço corre menos bem?
Para quando teremos um descanso digno?
Para quando haverá respostas para isto tudo?
Car





Caro Camarada·


Penso que tem muita raiva dentro de si, mas será esta raiva, forma de não admitir que se enganou ao vir para a GNR?



desconheço quem é e faz quanto tempo esta na Guarda, mas asseguro-lhe que desde que entrei na Guarda esta melhorou muito.



Talvez pense que está muito mal, mas pense naquilo que a Guarda lhe vai trazendo de positivo, e mais difícil equacione tudo aquilo que já fez na Guarda, não aquilo que viu fazer, aquilo que realmente fez de sua iniciativa, equacione também as suas motivações, porque veio para a Guarda?



Se pensa que a vida na Guarda lhe corre mal, responda-me a estas perguntas:



Já matou alguém?

Já sobreviveu a uma tentativa de homicídio?

Já passou fome?

Já foi suspenso por mais de 140 dias?

Já viu crianças a viver como cães?

Tem mais de 3 filhos?

Já comandou um Posto na margem sul?

Já salvou alguém de uma morte certa que depois veio a morrer às mãos da pessoa de quem a salvou?

Já chorou em desespero?

Já foi abandonado á morte por um seu comandante?

Já perdeu um camarada seu ao serviço?

Já lhe apontaram uma arma à cabeça a menos de um palmo?·


·Já?

Já chega, se responder sim a estas questões tem o meu respeito, pois tem o inegável direito de se queixar, caso não consiga responder, talvez deva reflectir e talvez chegue á conclusão que por muito grande que seja o nosso infortúnio, há sempre alguém que gostaria de estar no nosso lugar.



Na semana passada quando vinha para casa, a sair do Posto, já de ferias e á civil, o atendimento recebeu uma chamada do CoDu, a dizer que estaria o Inem com um individuo que se queria matar, num determinado sitio, e que este se recusava a ir para o Hospital.

Sabendo que o Piquete estava empenhado, lá fui ao encontro desta situação e quando lá cheguei, vi que o individuo era alguém que eu já conhecia e semanas antes tinha estado em sua casa quando este se preparava para se enforcar e eu mais dois militares do posto, o conseguimos evitar, tendo-me cabido desatar o nó de forca, algo que me deixou um pouco perturbado.

Bem lá falei com o homem que de imediato me reconheceu, e depois de eu ter uma curta conversa com ele sabes o que me disse?



" Vou para o Hospital porque confio em ti,..... Obrigado, conto sempre contigo."



Sabes camarada o que mais me atormenta?·
É para próxima não chegar a tempo.



Tal qual aquele indivíduo, a população conta com a Guarda, ela não sabe dos nossos problemas, não sabe das nossas frustrações, não sabe quantas horas de serviço já levamos no corpo.....A POPULAÇÃO APENAS CONTA CONTIGO.·


VÊ O LADO POSITIVO.



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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por PedroLoureiro em Ter 01 Out 2013, 00:15

boas,

em relação ao que o camarada genere disse, acho que primeiro deve olhar pa dentro d si e tal como foi dito, ver o que está a fzr na Guarda, que d certo que ninguém o obrigou a ir para la, e muita vontade tnh eu de servir na Guarda, e penso que quem está na Guarda, devia dar-se por muito feliz, porque no seu lugar gostavam d tar muitos outros, que tal como eu, esforçam-se todos os dias a treinar e a estudar para servirem um dia na Guarda.

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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por иuησ em Ter 01 Out 2013, 00:32

Não pretendo gerar discórdia nem confusão nos comentários escritos anteriormente. Contudo, apenas pretendo transmitir que a ideia que os civis aqui presentes neste forum, é por vezes muito errada.

Quem serve a GNR, a população, Portugal, sabe bem as dificuldades que atravessa diariamente. Desde o horário continuo e exagerado (muitas das vezes ultrapassamos as 72h de trabalho semanal sem qualquer compensação), a falta de protecção, falta de meios no trabalho, falta de condições de trabalho, são exemplos da realidade actual.

Pedro Loureiro, espero que consigas o que anseias, mas, quando cá chegares perceberás palavra por palavra o que escrevi. Resta-me desejar-te sorte e saúde.

Não entendam como critica as minhas palavras, entendam sim como o meu ponto de vista.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por JNSilva em Ter 01 Out 2013, 00:36

PedroLoureiro escreveu:boas,

em relação ao que o camarada genere disse, acho que primeiro deve olhar pa dentro d si e tal como foi dito, ver o que está a fzr na Guarda, que d certo que ninguém o obrigou a ir para la, e muita vontade tnh eu de servir na Guarda, e penso que quem está na Guarda, devia dar-se por muito feliz, porque no seu lugar gostavam d tar muitos outros, que tal como eu, esforçam-se todos os dias a treinar e a estudar para servirem um dia na Guarda.

cumps
Bem... até pode ter a sua razão...
Mas conhecendo eu tão bem esta nossa Guarda e os recentes militares ingressados na Guarda, tenho também a dizer de 10, 2 gostam de cá andar, os outros 8 são funcionários públicos, ou aspiram a se-lo.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Almeida Pinto em Ter 01 Out 2013, 15:25

иuησ escreveu:
Não pretendo gerar discórdia nem confusão nos comentários escritos anteriormente. Contudo, apenas pretendo transmitir que a ideia que os civis aqui presentes neste forum, é por vezes muito errada.

Quem serve a GNR, a população, Portugal, sabe bem as dificuldades que atravessa diariamente. Desde o horário continuo e exagerado (muitas das vezes ultrapassamos as 72h de trabalho semanal sem qualquer compensação), a falta de protecção, falta de meios no trabalho, falta de condições de trabalho, são exemplos da realidade actual.

Pedro Loureiro, espero que consigas o que anseias, mas, quando cá chegares perceberás palavra por palavra o que escrevi. Resta-me desejar-te sorte e saúde.

Não entendam como critica as minhas palavras, entendam sim como o meu ponto de vista.
Sr. Nuno, este também é o meu ponto de vista:
Não sei onde é que o senhor vê como muito errado a ideia dos civis neste forum.
Quanto ao tema em questão, fatalidades destas existem em todos os grupos/profissões, não é exclusivo das FS, prova disso é o outro tópico que está aqui no forum:  http://forumgnr.virtuaboard.com/t33978-registados-84-suicidios-por-mes-este-ano#457588  falta de meios de trabalho, falta de protecção e exploração existe em muitas catogrias profissionais.
Contudo, acho muito bem que a GNR queira ter equipamentos/meios materiais e humanos dignos para cumprir a sua nobre missão.

Cumprimentos
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por CARI2013 em Ter 01 Out 2013, 16:06

Almeida Pinto escreveu:
иuησ escreveu:
Não pretendo gerar discórdia nem confusão nos comentários escritos anteriormente. Contudo, apenas pretendo transmitir que a ideia que os civis aqui presentes neste forum, é por vezes muito errada.

Quem serve a GNR, a população, Portugal, sabe bem as dificuldades que atravessa diariamente. Desde o horário continuo e exagerado (muitas das vezes ultrapassamos as 72h de trabalho semanal sem qualquer compensação), a falta de protecção, falta de meios no trabalho, falta de condições de trabalho, são exemplos da realidade actual.

Pedro Loureiro, espero que consigas o que anseias, mas, quando cá chegares perceberás palavra por palavra o que escrevi. Resta-me desejar-te sorte e saúde.

Não entendam como critica as minhas palavras, entendam sim como o meu ponto de vista.
Sr. Nuno, este também é o meu ponto de vista:
Não sei onde é que o senhor vê como muito errado a ideia dos civis neste forum.
Quanto ao tema em questão, fatalidades destas existem em todos os grupos/profissões, não é exclusivo das FS, prova disso é o outro tópico que está aqui no forum:  http://forumgnr.virtuaboard.com/t33978-registados-84-suicidios-por-mes-este-ano#457588  falta de meios de trabalho, falta de protecção e exploração existe em muitas catogrias profissionais.
Contudo, acho muito bem que a GNR queira ter equipamentos/meios materiais e humanos dignos para cumprir a sua nobre missão.

Cumprimentos
Para encontrar as causa fundamentais que leva a que a percentagem de suicídios nas forças de segurança seja superior à media Nacional e que a esperança media de vida seja inferior (em 10 anos) relativamente à media Nacional, não nos podemos "reter" apenas nos argumentos apontados. Os elementos das forças de segurança, comparados com o comum dos cidadãos, são, por questões de uma certa cultura castrenses muito mais sensíveis às injurias, difamações, condição de pobreza, etc... Um regime disciplinar rígido e um dever de obediência hierárquica- ainda que se discorde de determinadas ordens - e a responsabilidade de "carregarem" o prestigio da Instituição e o legado dos seus antecessores, fazem o resto....Pena que não se faça um estudo aprofundado sobre a matéria.


Última edição por CARI2013 em Ter 01 Out 2013, 22:28, editado 1 vez(es)
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por PedroLoureiro em Ter 01 Out 2013, 18:00

иuησ escreveu:
Não pretendo gerar discórdia nem confusão nos comentários escritos anteriormente. Contudo, apenas pretendo transmitir que a ideia que os civis aqui presentes neste forum, é por vezes muito errada.

Quem serve a GNR, a população, Portugal, sabe bem as dificuldades que atravessa diariamente. Desde o horário continuo e exagerado (muitas das vezes ultrapassamos as 72h de trabalho semanal sem qualquer compensação), a falta de protecção, falta de meios no trabalho, falta de condições de trabalho, são exemplos da realidade actual.

Pedro Loureiro, espero que consigas o que anseias, mas, quando cá chegares perceberás palavra por palavra o que escrevi. Resta-me desejar-te sorte e saúde.

Não entendam como critica as minhas palavras, entendam sim como o meu ponto de vista.
Desde já obrigado,

e sim d certo q quando entrar vou sentir na pele o k falas Wink
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Guarda Sem Nível em Ter 01 Out 2013, 18:29

Não existe e será pouco provável que possa a vir a existir um diagnóstico padrão sobre as causas e as motivações que levam ao suicídio em elementos das forças de segurança, que é, de facto um pouco acima da média da sociedade civil. Quando pensamos que temos todos os estudos, analises e teorias em relação à determinação das causas e motivações que levam a tão brutal acto, tudo isso de desmorona com o próximo acontecimento.
Contudo não devemos aceitar, nem permitir, por ser de um nível tão baixo e inadmissível, o aproveitamento deste drama para justificarem alguns clichés reivindicativos. Porque se esses clichés fossem de facto as razões de tão brutal acto, teríamos uma média de ocorrências muito inferior à sociedade civil, porque aí, existe um milhão de desempregados, mais de 80 mil famílias sem qualquer espécie de rendimentos ou subsídios, mais de meio milhão de portugueses  “vive” abaixo do limiar da pobreza ( vejam qual o conceito de “limiar da pobreza” por parte de UNESCO) etc. etc.
Sejam no mínimo respeitadores por quem sofre a dor desse drama.

Em minha opinião, por isso vale o que vale, existem dois fatores que têm influência direta no elevado número de suicídios nas forças de segurança. O 1º factor tem a ver com erros de casting e de selecção no recrutamento e na formação;
O 2º- factor, que está profundamente dependente do 1º., tem a ver com a ferramenta de trabalho que é distribuída a esse profissionais, que está ali sempre à mão e que é profundamente letal. Estes são os parâmetros que não se verificam na sociedade civil.
Quando se concorre a uma Força de Segurança, tem-se obrigatoriamente de se saber ao que se está a concorrer, porque não se trata de  concorrer a agricultor, ou a uma empresas de Call Center ou a padeiro, etc.  têm de ter consciência que se trata de uma profissão de risco e de sacrifícios, em que o dever  é o cumprimento da missão, por outro lado, os cursos de formação deveriam ser a ultima fase da selecção, para tal deveriam entrar mais 1/3 do que as vagas atribuídas, isto para excluir aqueles que de todo não tem vocação para esta profissão.
É aqui que deve começar toda a luta contra o suicídio.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por CARI2013 em Ter 01 Out 2013, 22:43

«Sejam no mínimo respeitadores por quem sofre a dor desse drama»


Estamos a opinar sobre as causas em que assenta o acto de suicídio dos elementos das Forças de segurança , com o devido respeito pelos que sofrem a dor desse drama.
Na verdade o « aproveitamento deste drama para justificarem alguns clichés reivindicativos» não faz sentido mas, ainda assim, não pode deixar de servir de reflexão sobre a questão da mobilidade (colocações), idade de passagem à situação de Reserva/Reforma, penosidade/risco/ insalubridade da missão, conceito de disponibilidade permanente, horário de referencia, stress permanente causado pela missão de risco e a ausência de garantias  quanto ao futuro profissional.

da missão, 
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Gil Vicente em Sex 18 Out 2013, 12:21

Dentro de momentos Hernâni Carvalho vai falar sobre o suicídio nas FS. 
A não perder, na Look   SIC.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por NIC em Sex 18 Out 2013, 16:48

Não vi... Alguém pode colocar a entrevista?
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Gil Vicente em Sex 18 Out 2013, 17:15

Como sempre neste programa, os assuntos relativos às FS são curtos na sua discussão, mesmo assim o Hernâni e o Paulo Sargento nas suas curtas palavras só disseram verdades, naquilo que afecta os agentes policiais.
Pena é que quem governa, quem tem a tutela do MAI e quem comanda, continuam a fazer ouvidos de mercador, fazendo orelhas moucas, como se o assunto nada tivesse a haver com eles e daqui a uns dias outros camaradas possam tomar a decisão de pôr termo à vida.
Amanhã talvez já seja possível visionar.


Última edição por Gil Vicente em Sex 18 Out 2013, 18:37, editado 1 vez(es)
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por CARI2013 em Sex 18 Out 2013, 18:24

Gil Vicente escreveu:Como sempre neste programa, os assuntos relativos às FS são curtos na sua discussão, mesmo assim o Hernâni e o Paulo Sargento nas suas curtas palavras só disseram verdades, naquilo que afecta os agentes policiais.
Pena é que quem governa, quem tem a tutela do MAI e quem comanda, continuem a fazer ouvidos de mercador, fazendo orelhas moucas, como se o assunto nada tivesse a haver com eles e daqui a uns dias outros camaradas possam tomar a decisão de pôr termo à vida.
Amanhã talvez já seja possível visionar.
Os políticos "fogem" deste tipo de estatísticas como o diabo da cruz..Há muito que o bem jurídico vida deixou de ser uma prioridade para quem faz carreira na politica.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Desconhecido em Sex 18 Out 2013, 18:41

Olhem meus amigos se um dia esta crise me levasse a pensar / concretizar isso de certeza que muita tinta correria por essa imprensa fora ...... e pensem o que quiserem.
Veremos se o POVO vai continuar a reagir como até aqui ..... com manifestações em forma de piquenique......
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por genere em Sex 18 Out 2013, 18:45

Desconhecido escreveu:Olhem meus amigos se um dia esta crise me levasse a pensar / concretizar isso de certeza que muita tinta correria por essa imprensa fora ...... e pensem o que quiserem.
Veremos se o POVO vai continuar a reagir como até aqui ..... com manifestações em forma de piquenique......
O povo? 
Os cortes são praticamente sobre os FP's!!!!!
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por APG/GNR em Sex 18 Out 2013, 19:12

Gil Vicente escreveu:Dentro de momentos Hernâni Carvalho vai falar sobre o suicídio nas FS. 
A não perder, na Look   SIC.


Actualidade Criminal, com Hernâni Carvalho e Paulo Sargento
Em pouco tempo, diz-se muita coisa...
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Ark em Sex 18 Out 2013, 20:09

Penso que o suicidio não resolve nada.

Várias vezes meditei sobre esse assunto ( como sobre muitos outros ) e penso sempre ou tento pensar que há pessoas em pior situação para poder ter alguma vontade de continuar a perseguir objectivos.

A vida é curta, e apesar de tudo há sempre algo novo e melhores dias para vir ( o que hoje em dia é dificil de acreditar )

Não tenho é duvidas que para cometer um acto deste é preciso ter muita CORAGEM ! mas não deixo de lamentar, pois há casos que nem nos passa pela cabeça.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por иuησ em Sex 18 Out 2013, 20:25

Atenção que o video não fala só sobre os suicídios...
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por jose alho em Sex 18 Out 2013, 20:29

Muito bem Hernani e  Paulo Sargento.

Disseram tudo em poucas palavras:  :bravo:


Última edição por jose alho em Sab 19 Out 2013, 07:21, editado 1 vez(es)
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Gil Vicente em Sex 18 Out 2013, 21:52

Camarada que raio de maneira de relatar um facto, ficando-se por meia dúzia de palavras.

PS: Só após ter submetido este comentário, é que vi o tópico relativo a essa lamentável ocorrência.
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Admin POR QUE RAZÃO SE SUICIDAM POLÍCIAS e GUARDAS

Mensagem por Gil Vicente em Dom 22 Dez 2013, 22:11

Antes de mais ter em atenção que o artigo é de 2008 e foi aqui publicado http://forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?t=7639.
Tendo em conta que daí para cá muitos mais tombaram, neste ano de 2013 já lhe perdi a conta e ainda faltam uns dias até ao fim do ano, oxalá nesta quadra que se avizinha e se quer festiva nenhum outro venha a tomar semelhante decisão, pois quantas vezes com tal atitude acabam por agravar e tornar mais penosa a sobrevivência dos familiares.    

Ano negro na PSP e GNR. Uma militar da GNR deu ontem um tiro na cabeça, aumentando para 14 os suicídios este ano nas forças de segurança. Agentes que já desejaram a morte contam ao DN as suas razões. Os polícias recorrem cada vez mais a psicólogos e a GNR procura causas junto de pessoas próximas das vítimas

Tinha 26 anos e apenas quatro meses de serviço na GNR da Mealhada. Solteira, vivia com os pais perto do posto militar, onde ontem de manhã se suicidou com um tiro na cabeça. É o 14.º caso entre as forças policiais este ano. As razões são desconhecidas, mas alguns dos que tentaram pôr termo à vida relataram ao DN o que os levou a desejar a morte.

"Os polícias não sabem como sair deste buraco em que se encontram, com tantos problemas financeiros por terem salários muito baixos, trabalho em excesso, falta de tempo para descansar nem acompanhar o crescimento dos filhos. E não têm apoio da instituição PSP nem da família, que deixa de os querer por estarem sempre ausentes. Acabam por ficar sozinhos." Maria (nome fictício, tal como o dos restantes agentes nesta reportagem), elemento operacional da PSP já há 25 anos, diz ser tudo isto que está na origem da onda de suicídios que este ano mancharam a GNR (11 casos) e a PSP (três). E deixa um alerta: "Infelizmente, ainda vai haver mais situações destas, porque pensam que o suicídio resolve todos os problemas. Acaba-se tudo..."

Maria

"Porcaria à face da terra"

"Como é que se percebe estes casos todos de suicídio e de conflitos familiares que acabaram em homicídios praticados por profissionais de polícia?", pergunta Maria, referindo-se a uma agente da PSP que seria vítima de maus tratos e, em Setembro, em Sacavém, matou a tiro o marido ex-polícia. Num tom envergonhado, Maria relata o seu caso ao DN: "Eu própria já me tentei suicidar. Foi há muitos anos, porque era vítima de violência por parte do meu marido, também polícia, pois achava que eu lhe era infiel. Como estão sempre a lidar com casos de infidelidade, os polícias tornam-se desconfiados e pensam que se pode passar o mesmo em casa."

"Eu ficava tão humilhada com aquilo que nem tinha forças para reagir. Uma pessoa sente-se a maior porcaria à face da terra. Por isso, entendo bem estas situações e apoio bastante as mulheres que apresentam queixa", confessou.

De baixa psiquiátrica há mais de um mês, Maria diz não voltar ao serviço enquanto não estiver em condições: "Trabalho no terreno e não posso tomar decisões erradas. Estamos a lidar com armas, criminalidade violenta, bairros problemáticos, situações muito delicadas. Este trabalho exige sanidade mental a 100%. Muita gente depende da minha capacidade de resposta."

"Sinto-me muito fragilizada como pessoa e profissional. Mas foi a própria instituição que me levou a isto, porque não dá incentivos. Nem que fosse só por palavras para reconhecer o trabalho que se fez e dar apoio moral às pessoas", referiu.

Com os olhos rasos de lágrimas, lembrou ter trabalhado dois anos com crianças vítimas de violação: "Isso afecta psicologicamente uma pessoa. E a PSP não vê isso. Só demonstra falta de respeito. É isso que me revolta. Retirarem o valor de uma pessoa. Não consigo aceitar isto."

"Já dei muito à polícia e a polícia a mim deu- -me zero. Foi aqui que aprendi a ser mulher. Dei a minha vida toda à PSP. E pela PSP deixei de dar atenção à família e aos filhos. Tudo para defender a bandeira nacional e a minha farda", diz, com uma tristeza no olhar. Desiludida, frisa que "o sonho comanda a vida. E quando uma pessoa deixa de ter sonhos, a vida deixa de fazer sentido".

"Eu perdi todos os amigos que tinha antes de entrar para a PSP, porque deixou de haver tempo para manter essas amizades. Há um corte com o mundo civil e em toda a vivência. Aos polícias só restam os polícias. Não há horas para comer, dormir nem para nada. Faço um turno, mas pode-se prolongar por mais de sete horas se houver uma detenção ou outra ocorrência", explica.

"Estamos em situação de stress extremo. E a realidade actual é muito mais violenta do que aquilo tudo que nos ensinaram na escola de polícia", salienta. Critica a ideia feita que "se és polícia, tens de ser forte em todos os aspectos. Mas isso não é verdade. Somos humanos e temos os nossos limites, como as outras pessoas".

Queixa-se que "não há apoio na corporação nem no exterior, porque a sociedade civil cada vez exige mais de nós".

"Temos um gabinete de psicologia que trabalha para a polícia, mas não com os polícias", denuncia Maria. E deixa um alerta: "Cada pessoa que pede apoio psicológico fica automaticamente queimada e à mercê da instituição."

Por isso, "estou a ser acompanhada pelo psicólogo e psiquiatra particulares. Eles estão também a tratar imensos elementos da PSP com muitos problemas. Há muitos agentes que não vivem, só sobrevivem, porque não têm tempo livre nem dinheiro. Só ganham 700 ou 800 euros por mês".

Alerta que "começa a haver uma revolta silenciosa entre os polícias. Há agentes com meia dúzia de meses na PSP, que já estão tão desanimados com isto, que só desejam arranjar outro emprego e largar a PSP. Na minha esquadra, já ouvi mais de 40 agentes novos a dizerem isso".

João

"Preso como um animal"

"Tenho 30 anos de PSP e nunca vi uma situação igual com tantos suicídios." Quem o diz é João, que já se encontra de baixa psiquiátrica desde 2005 e tentou suicidar-se no Outono de 2007. "Entrei em baixa psiquiátrica pelo grande desgaste em que me encontrava. Entretanto, foi-me detectada doença bipolar e a corporação não me ajuda em nada. Por isso, muitos como eu tentam pôr termo à vida", refere João, que tem uma certeza: "Se pudesse voltar atrás, não teria ingressado na PSP."

Em 2007, a junta médica superior da PSP considerou-o "apto para retomar o serviço", enquanto a sua psiquiatra particular dizia que não estava em condições: "Fiquei muito transtornado com aquilo tudo. Estava em casa e não sei o que me passou pela cabeça. Ingeri grandes quantidades de medicamentos. Senti-me muito mal e, quando me dirigi à esquadra para pedir auxílio, peguei numa coisa qualquer e parti as vidraças das instalações."

"Detiveram-me por danos voluntários. Estive oito horas detido na esquadra e algemado como se de um bandido se tratasse. Fui levado a tribunal e constituído arguido por ter feito um prejuízo de 190 euros", contou João, considerando "inadmissível" a situação: "Em vez de me ajudarem, porque estava mal psicologicamente, fui detido e tratado como um animal irracional. Se o mesmo tivesse sucedido com um cidadão comum, ele teria sido assistido e conduzido aos serviços médicos."

"Não recorro aos serviços de psicologia da PSP, porque não confio neles. É um sistema que tem de ser remodelado para trabalhar para e com os polícias e não apenas para a PSP", sublinha o agente.

E denuncia outra situação que classifica de grave: "Estamos a ser julgados por duas entidades, que é o tribunal e a própria instituição. Há cerca de 50 processos internos pendentes contra mim."

"Sinto que a minha vida desapareceu. Perdi a minha família, os meus amigos. Tive de vender a casa para pagar aos advogados", queixa-se João.

Manuel

"Dar um tiro na cabeça"

"Estive de baixa psicológica durante um ano, devido a pressões da hierarquia. Puseram-me o telemóvel em escuta e descobri que estava a ser investigado", conta Manuel, com 23 anos de serviço operacional na PSP.

"Prejudicavam-me nas escalas, trocavam-me turnos e folgas, ficava sem tempo para a família, nem para a mulher nem para o filho. Sentia-me tão mal, que só queria abandonar a polícia e arranjar outro trabalho", confessou ao DN.

"Até cheguei a pensar em fechar-me na casa de banho da minha esquadra e dar um tiro na cabeça, porque aquilo poderia ser considerado acidente em trabalho. Assim, a mulher tinha direito a receber uma pensão e a casa ficava paga pelo seguro", explicou o mesmo agente.

"Na zona onde moro, a população é que se foi apercebendo de que havia algum problema comigo. Deram-me apoio, porque a minha mulher precisava de ser internada no hospital. Pedi ajuda aos serviços sociais da PSP e não fizeram nada. Os vizinhos é que me emprestaram dinheiro para ela poder ser tratada", recordou, deixando uma crítica: "Quando há um assalto, vou sempre a correr para tomar conta da situação. E a instituição não nos ajuda."

Em termos salariais, diz que "é triste não poder comprar uns ténis ou umas calças ao filho, porque tem um pai que é polícia e ganha mal".

Quanto ao gabinete de psicologia da PSP, "faz relatórios contra mim e a favor da instituição. Por isso, tenho de recorrer à psicóloga particular", salienta, denunciando mais outro problema: "Antigamente, éramos recrutados e sabíamos que tínhamos uma carreira e podíamos concorrer e progredir. Agora não. É preciso estar nas boas graças do chefe, senão nunca se sobe..."

José

"Antecâmara da morte"

José já presta serviço operacional na PSP há 23 anos e é considerado um veterano que sabe lidar com situações de risco de suicídio. "Tenho servido de elo de ligação entre eles - os colegas que pensam em suicidar-se - e as soluções dos seus problemas", explicou ao DN, alertando que "tem aumentado assustadoramente o número de casos destes".

"E a principal razão é a falta de descanso. Os polícias ganham mal e, para terem mais algum dinheiro, têm de fazer serviços gratificados, ficando sem tempo para descansar", denuncia.

"No outro dia, elementos do meu grupo entraram de serviço às 00.30. Às 04.30 detiveram três indivíduos por assalto a vários estabelecimentos comerciais e depois estiveram a fazer o expediente até às 21.30, porque aquilo era complicado e envolvia uma série de casos. Depois voltaram a pegar ao serviço à meia-noite até às 06.30. Às 10.00 tiveram de ir para tribunal com os suspeitos e aquilo prolongou-se até às 19.00. Portanto, estiveram praticamente dois dias seguidos a trabalhar sem descanso", relatou.

Salienta que "a PSP não paga horas extras nem nada. Tiveram de almoçar e jantar fora pagando do seu bolso, enquanto as mulheres estavam em casa à espera deles com as refeições já cozinhadas".

"Estes e outros problemas vão-se acumulando e chega-se a um ponto em que a pessoa começa a descarregar no elo mais fraco e mais próximo, que é a família. Ou termina no suicídio, porque não vê outra saída", comenta o mesmo agente da PSP.

José traça o filme que culmina nesta tragédia: "O polícia vê o comandante a criticá-lo por se atrasar ou andar cansado. A família a queixar-se e a sociedade a exigir cada vez mais dele. Vai-se encolhendo mais e mais e acaba por se colocar na antecâmara da morte."

Na última semana de Setembro, "um sub-chefe de Oeiras tentou suicidar-se. Ia lançar-se de uma falésia do cabo da Roca (Sintra). Felizmente, uma patrulha da GNR passou ali por acaso e evitou o suicídio. Ficou de baixa psiquiátrica".

O mesmo agente considera que "antigamente, os polícias tinham mais capacidade de sofrimento. Mas, agora, os novos são mais frágeis e vulneráveis a nível psicológico. Vão-se abaixo mais facilmente".

Pedro

"Bomba de rastilho curto"

"O grande stress laboral de sobrecarga de trabalho é uma das principais causas que está a levar muitos agentes à baixa médica, a recorrer às consultas, a tentar o suicídio e a cometer violência doméstica", afirmou ao DN um elemento do Sindicato dos Profissionais de Polícia, que fez um estudo sobre esta problemática.

Na origem destas crises, Pedro diagnosticou também "os baixos salários, falta de progressão na carreira e deficiências no gabinete de psicologia da PSP, que é uma fachada, porque só funciona depois de as desgraças acontecerem. Deviam era tomar medidas de prevenção para não sucederem".

"Não há horário de trabalho estipulado", referiu, dando exemplos: "Num dia, o meu horário era das 08.00 às 16.00. Ligaram na véspera, às 16.00, a informar que, afinal, no dia seguinte só iria entrar às 21.00. Tive de reorganizar toda a minha vida. Noutro caso, dois elementos iam entrar às 16.00, mas mudaram-lhes o turno para as 18.00 sem os avisarem. Tiveram de ficar duas horas na esquadra à espera de entrar ao serviço."

Com estas alterações todas, Pedro explica que "por vezes há polícias que só dormem uma ou duas horas, porque, além do horário normal, têm de fazer serviços gratificados e operações de noite e madrugada".

Esclarece que "a resolução destes problemas de turnos não implica mais dinheiro nem gastos. Basta regulamentar os horários para permitir aos polícias terem uma vida social".

Alerta que "os agentes mais novos vêm lá das terras deles e ficam em Lisboa abandonados. Um vivia num quarto com um colega. Só conseguia ir a casa uma vez por mês. Entretanto, o colega casou-se e mudou de casa. O outro ficou sozinho e não aguentou a solidão. Tentou suicidar--se na rua. Estava num banco de jardim com uma pistola na mão. Polícias encontraram-no, desarmaram-no e depois ele foi colocado de sentinela à porta da esquadra. Não teve apoio do comando nem acompanhamento psicológico. Mais tarde, voltou a ser considerado apto e devolveram-lhe a arma de serviço. No dia seguinte foi encontrado morto com um tiro na cabeça, no quarto onde vivia sozinho".

Salienta que "há um número muito maior de situações mais graves que os suicídios: os casos de violência doméstica praticados por polícias. E a dor das suas vítimas vai-se prolongando por muito tempo". Na sua opinião, "um polícia é uma bomba com rastilho curto. Quando chegam ao limite, uns dá-lhes para se suicidarem e outros para agredirem em casa".

Conclui que "tentar prevenir a criminalidade com polícias que trabalham 24 horas por dia não é sistema. Estão a trabalhar em cansaço e sem condições para o fazer".
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por DarthVader em Sex 27 Dez 2013, 14:11

genere escreveu:Ó pitão queres que te mande ou vais sozinho?
Estamos aqui a falar de suicidios e vêm vocês para cá com essas teorias de propotentes e ditadores.
Um dia que um de vocês caia ou que leve uma lambadas nesse focinho por andarem a prejudicar alguem na escala eu quero ver se continuam a falar assim.
Posso-te adiantar que o que eu fazia antes de ser militar fazia parecer a tua fábrica um mimo.
Só não está de acordo quem não é nenhum robot e quem tem cabeça para pensar.
Pois eu quando vim para a Guarda foi em prol da Grei e agora o que sinto é que ando aqui a servir interesses pessoais de Pitões, lagartos, jacarés e outra bicharada.  :bravo:   :bravo: 
Não se sirvam da Guarda, a Guarda não vos pertence, não hajam como se tivessem uma cota parte de um posto.
Não vale a pena adiantar muito mais pois as vossas teorias são: Metam o papel e vão embora!

Sim senhor belas palavras quando aqui se fala de suicidio.

Como é que os militares podem andar a defender e apoiar a Grei quando eles não tem condições para tal e são eles que precisam de ajudar e apoio.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por CARI2013 em Dom 29 Dez 2013, 01:30

O surgimento do suicídio pode  estar ligado à desestruturação da solidariedade/camaradagem entre militares,que é esmagada pela avaliação individual dos desempenhos. O "choque cultural" entre os valores tradicionais castrenses e o foco na competição podem potenciar a apetência para o suicídio. Planos de reestruturação, que têm obrigando os militares a mudar de serviço, desempenhar novas funções- aversão à novidade - e à sua transferência para outras áreas geográficas - longe da família - podem, também,   contribuir para o suicido.
É obrigação de todos estarem atentos aos "sinais"....
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Sinito em Dom 29 Dez 2013, 19:50

és colocado a 300 km de casa, andas na rua dia e noite, fazes todos os gratificados escalados e "matas" todos os outros q te dão para atenuar os gastos nas deslocações para ver a familia, gastas cerca de 500 euros mensais só para portagens e gasoleo porque tens mulher e um filho a crescer q só vês uma vez por semana e o mesmo até já se desapegou a ti, não tens tempo sequer para descansar e o pouco q tens não consegues, pq como és o unico q dorme no posto e não há respeito não te deixam sequer dormir, tens gastos com a tua alimentação semanal e ainda a casa q deixas-te pra tras com todas as despesas inerentes, perdes toda a tua vida familiar e pessoal, amigos e tudo o resto, sentes-te cansado, desamimado e abandonado... ligas para a linha de apoio da GNR e vai um "psicologo" falar contigo e como resposta dá-te a entender q ou te desenrascas sozinho ou então ninguem te dá a mão... digam-me se não vos passa tudo pela cabeça... já pensei em muitas coisas, algumas das quais q não deveria pensar... e como já foi dito em post anteriores, "há coisas q não tem emenda" e depois de feitas... já era...
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por CARI2013 em Seg 30 Dez 2013, 01:20

Gostei do texto, Sinito.
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Admin Suicídios nas polícias - DN OPINIÃO

Mensagem por иuησ em Sab 04 Jan 2014, 17:44

Suicídios nas polícias

por PAULO PEREIRA DE ALMEIDA
28 outubro 2011

Na sua obra clássica do final do século XIX, o sociólogo francês Émile Durkheim classifica o fenómeno social do suicídio e procura tipificar as suas causas. O autor conclui que as estatísticas demonstram que durante as crises económicas e os períodos de recessão as taxas de suicídio aumentam, mas que nos períodos de crescimento económico também se verificam elevadas taxas de suicídio. A conclusão de Durkheim é a de que não era seria a pobreza a motivar o suicídio. Essencialmente, e segundo o autor, é em perío-dos de enfraquecimento das normas sociais e de redução da coe-são das sociedades que existem taxas de suicídio mais elevadas.

Estas constatações de Durkheim - que ainda hoje se mantêm, no seu essencial, como verificadas e verificáveis - são úteis para, em meu entender, nos recordarmos da complexidade de factores e da multiplicidade de situações envolvidas na questão profundamente delicada - e controversa - do suicídio. Assim sendo, abordar semelhante questão quando falamos das forças e serviços de segurança (FSS) e, no caso de Portugal, quando nos referimos às duas grandes polícias (PSP e GNR), implica um especial cuidado, concretamente com dois aspectos. Primeiro, implica ter em atenção que existe um "mito social" associado à ideia de que as taxas de divórcio, de alcoolismo e de suicídios são mais elevadas nos profissionais das FSS: por exemplo, no caso dos Estados Unidos da América, país relativamente ao qual existem alguns dados disponíveis, não há consenso quanto à taxa de suicídio das polícias ser três vezes superior à taxa de suicídios da população em geral, sendo disputada a ideia de que o número de suicídios de polícias é de cerca de 300 por ano. Em segundo, é fundamental perceber que existem igualmente factores que potenciam a probabilidade de um profissional das FSS cometer suicídio, designadamente o desgaste a que uma profissão que lida com elevados níveis de violência - e de pressão psicológica - submete estas pessoas: aliás, e curiosamente, sabe-se que um número considerável de agentes que comentem suicídio fazem-no com outra arma que não a de serviço, pelo que o facto de terem uma arma de fogo à sua disposição não parece ser um factor determinante nessa decisão dramática e irreversível.

Por tudo isto, espera-se que as conclusões de dois estudos recentemente apresentados pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) sejam tidas em conta em futuros programas governamentais dirigidos à população dos profissionais das FSS. Concretamente, é essencial tomar em consideração que - de acordo com esses estudos - "os agentes da PSP vivem menos 11 anos do que a restante população, apresentam uma maior prevalência de perturbações mentais e são sujeitos a violência no local de trabalho por parte de colegas e superiores hierárquicos", segundo noticiava o jornal i na semana passada. Além disso - e de acordo com os estudos citados pelo mesmo jornal -, "63% das mortes de agentes no activo resultam de suicídios - a principal causa de morte não natural dos polícias". Por fim, uma outra nota digna de referência relaciona-se com uma queixa que a ASPP fez à Organização Internacional do Trabalho (OIT), referente à "ausência de legislação que obrigue à fiscalização das condições de higiene e segurança no trabalho e das más condições das esquadras", segundo a mesma notícia do jornal i: uma situação - lamentável a todos os títulos - que se espera venha a merecer a devida atenção do actual ministro da Administração Interna.

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2086182&seccao=Paulo+Pereira+de+Almeida&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Croco em Sab 04 Jan 2014, 21:53




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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por jmflince em Dom 05 Jan 2014, 10:58

Para além dos problemas mencionados, temos um que é determinante, quando nos parece que todos os outros já não tem solução. Há nos escalões de comando uns senhores que tem por missão orientar e gerir todos aqueles que têm à sua responsabilidade, mas não fazem mais do que se alhearem de todos os assuntos e dificuldades sentidas pelos seus subordinados, que em vez de saberem ouvir e tentar solucionar a causa, limitam-se a olhar para o lado exercendo ainda mais pressão, destabilizando ainda mais as pessoas cada vez mais frágeis e indefesas, que neles interiorizam, que não lhes resta mais nada do que por fim a um calvário que cada vez está a ser mais penoso e difícil de percorrer. Haja mais sentido de responsabilidade, criar um sentimento humanizador entre todas as classes profissionais, dentro desta instituição e verão que as coisa melhoram a todos os níveis.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Sinito em Dom 05 Jan 2014, 16:34

concordo plenamente... infelizmente mais um suicidio dentro na nossa casa e nem uma palavra por parte de quem nos co"manda" e desgoverna...
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por eduardorodrigues em Qui 06 Fev 2014, 17:08

Boa tarde
Como já muitos camaradas comentaram aqui, o problema do suicidio não está apenas embutido nas forças policiais, e como alguem referiu, esta problemática é transversal a todas as profissões, certo contudo que a nossa tem stresses porventura mais elevados, face ao risco e á pratica de um serviço público de qualidade.
Nas outras profissões também existem muitos problemas e com a conjectura socio economica actual tudo junto cria uma bola de neve que as pessoas não aguentam.

Ja aqui foi mencionado que a soma dos suicidios que envolvem agentes no activo ou na reforma não chegam aos números das outras profissões. Mas também para esse facto devemos ter em conta o nosso rácio sre muito inferior ao resto da população e se calhar o facto de termos uma outra capacidade de gerir conflitos, quer estes sejam internos ou externos, da-nos uma outra capa de protecção, claro que isto é a minha opinião vale o que vale.

recentemente tive uma camarada de uma policia municipal que se suicidou, factores?
Muito complicado detectar os sinais, pois os colegas conviviam com ela todos os dias e nao notaram nada.
podemos falar em apoio psicologico das nossas instituições, concordo plenamente, mas sera isso o suficiente?
com esta conjectura e muito complicado, stress, problemas econimicos, afastamento da familia, apoio dos colegas e superiores, enfim é um role interminavel de factores que se destinguem de pessoa para pessoa, depende da esfera pessoal de cada um.

Deixo contudo a ideia de que devemos tentar estar atentos aos colegas, mudanças bruscas de atitudes e estados de espirito, enfim como gosto de dizer somos uma familia, por vezes passamos mais tempo ao serviço do que em casa.

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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Sinito em Qui 06 Fev 2014, 21:23

não sei se faço bem ou mal, mas vou "contar" aqui o meu caso pessoal...

neste momento não tou na melhor fase da minha vida, familiar, pessoal, profissional e monetária, tudo devido a uma má opção de vida (curso cabos) e consequente transferência...
como tal segui "os canais" internos para tentar resolver os meus problemas e numa das consultas de psiquiatria, após a psiquiatra q me seguia ter deixado de prestar seviço pra GNR e ser transferido para outro psiquiatra q não fazia a menor ideia do q se passava comigo, porque certamente nem se deu ao trabalho de ler a minha ficha antes de me consultar, explico-lhe então o meu problema e para meu espanto, a primeira resposta dele foi "já pensou em sair da guarda?"... fiquei parvo... a solução do meu problema não é transferir-me para perto da família, é ir-me embora da GNR e ir para o desemprego... porque certamente o sr. Dr. vai pagar as minhas contas...

é isto q temos dentro das portas camaradas...

querem saber mais?

foi-me pedido para "escolher" os dias de férias, e como todos os camaradas, "joguei" com as folgas e lá escolhi o meu periodo... para perceberem, tou de folga numa quarta, inicio as férias numa quinta e termino as férias numa sexta, mas não com o intuito de ganhar o fim de semana, porque por coincidência é o meu fim de semana de folga!
Não é q sem ter uma unica palavra comigo, o sr. cmdt de posto altera-me os dias e mete-me a iniciar as férias no dia da minha folga e a terminarem a uma quinta feira, obrigando-me a trabalhar na sexta, e como dito, folgo o fim de semana... obriga-me a fazer 330 km para cada lado... ainda não tive qq explicação para me terem "trocado" os dias, porque me encontro de baixa, mas alguem vai ter de me explicar...
e de todo o efectivo do posto sou o unico "desterrado", todos os outros camaradas moram perto... não quero com isto dizer q devo ser beneficiado, mas podiam ter ao menos bom senso...

o q quero dizer com isto é, não lidamos de igual forma com as situações e nem todos dão sinais de andarem com problemas e infelizmente quando menos se espera a asneira é feita...

cumprimentos
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por fernandes_luis em Seg 21 Abr 2014, 10:02

Bom dia,
Penso que grande parte das pessoas não fazem a mínima ideia do que seja uma depressão, e muitas delas ainda as minimizam ou pior "gozam" e cada vez as pessoas têm mais, penso que também tem a ver mais com a sociedade em que vivemos e certas profissões são mais propicias...
Eu não sou GNR mas já andei a "bater mal" (pois queria muito a profissão de GNR cheguei ao curso e fui fraco e acabei por desistir) acabei por deitar a perder um bom futuro e uma profissão de respeito, para agora não ter nada...
peço desculpa pelo desabafo,

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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por matulão em Seg 21 Abr 2014, 10:24

Fernandes_luis , não ter nada não é bem assim, a GNR é uma profissão como há milhares delas se desistiu foi pq assim o quis, pense bem nisto há centenas de guardas a sair a por licença sem vencimento a exercer outras profissões. Eu inclusive antes de entrar para a GNR tinha outra profissão e muito digna.
Faça pela vida procure aprender uma profissão, que realmente goste o saber não ocupa lugar.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por matulão em Seg 21 Abr 2014, 10:26

Um abraço e espero ter ajudado de alguma forma.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por António Pereira em Seg 21 Abr 2014, 19:39

Sinito escreveu:não sei se faço bem ou mal, mas vou "contar" aqui o meu caso pessoal...

neste momento não tou na melhor fase da minha vida, familiar, pessoal, profissional e monetária, tudo devido a uma má opção de vida (curso cabos) e consequente transferência...
como tal segui "os canais" internos para tentar resolver os meus problemas e numa das consultas de psiquiatria, após a psiquiatra q me seguia ter deixado de prestar seviço pra GNR e ser transferido para outro psiquiatra q não fazia a menor ideia do q se passava comigo, porque certamente nem se deu ao trabalho de ler a minha ficha antes de me consultar, explico-lhe então o meu problema e para meu espanto, a primeira resposta dele foi "já pensou em sair da guarda?"... fiquei parvo... a solução do meu problema não é transferir-me para perto da família, é ir-me embora da GNR e ir para o desemprego... porque certamente o sr. Dr. vai pagar as minhas contas...

é isto q temos dentro das portas camaradas...

querem saber mais?

foi-me pedido para "escolher" os dias de férias, e como todos os camaradas, "joguei" com as folgas e lá escolhi o meu periodo... para perceberem, tou de folga numa quarta, inicio as férias numa quinta e termino as férias numa sexta, mas não com o intuito de ganhar o fim de semana, porque por coincidência é o meu fim de semana de folga!
Não é q sem ter uma unica palavra comigo, o sr. cmdt de posto altera-me os dias e mete-me a iniciar as férias no dia da minha folga e a terminarem a uma quinta feira, obrigando-me a trabalhar na sexta, e como dito, folgo o fim de semana... obriga-me a fazer 330 km para cada lado... ainda não tive qq explicação para me terem "trocado" os dias, porque me encontro de baixa, mas alguem vai ter de me explicar...
e de todo o efectivo do posto sou o unico "desterrado", todos os outros camaradas moram perto... não quero com isto dizer q devo ser beneficiado, mas podiam ter ao menos bom senso...

o q quero dizer com isto é, não lidamos de igual forma com as situações e nem todos dão sinais de andarem com problemas e infelizmente quando menos se espera a asneira é feita...

cumprimentos

Camarada, em primeiro lugar, não digas que foi má opção, nunca nos devemos arrepender de lutar para dar um futuro melhor nós e para a nossa família, mas essencialmente para a nossa família.
Também duvidei muitas vezes das opções que faço, e sei muito bem o que é isso de estar longe de casa... nem ao pior inimigo desejo isso, mas a culpa não é tua, é desta instituição que continua a punir quem quis progredir na carreira, atrasando cada vez mais os cursos, não havendo devido planeamento e consequente transferencias, mas apenas vejo isso na nossa mártir classe.
Provavelmente quando chegares a casa, muitos dos teus camaradas já são cabos de antiguidade, questionando realmente se valeu a pena.
Os comandantes de posto, alguns secalhar nunca estiveram longe de casa, ou se estiveram, esqueceram-se, portanto não é de estranhar algumas atitudes, o bom senso devia de prevalecer sempre como se haveria de esperar.
Quanto ao psicólogo, se calhar merecia que o mandasse para o c******., mas tens que ter calma e acreditar que a justiça tarda mas sempre aparece.
Camarada desejo te as melhores felicidades e pensa que o mais de importante tens é a tua saude, se tiveres isso as coisas mais cedo ou mais tarde se hão de encaminhar.
Abraço
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por B_Matos em Ter 22 Abr 2014, 00:17

fernandes_luis escreveu:Bom dia,
Penso que grande parte das pessoas não fazem a mínima ideia do que seja uma depressão, e muitas delas ainda as minimizam ou pior "gozam" e cada vez as pessoas têm mais, penso que também tem a ver mais com a sociedade em que vivemos e certas profissões são mais propicias...
Eu não sou GNR mas já andei a "bater mal" (pois queria muito a profissão de GNR cheguei ao curso e fui fraco e acabei por desistir) acabei por deitar a perder um bom futuro e uma profissão de respeito, para agora não ter nada...
peço desculpa pelo desabafo,

Cump.

Companheiro nos dias que correm, tendo em conta o quão negras as coisas estão a nível de desemprego, ir a um curso da GNR e desistir, na minha opinião é uma decisão de grande coragem... e congratulo-te por teres tido essa frieza de espírito, porque a verdade é que para vir para esta carreira tem que se ter a certeza absoluta de que é isto que queres.

Pensa assim, perdeste uma oportunidade de carreira, mas muito provavelmente salvaste a tua vida com essa decisão.

Cumprimentos, e boa sorte, tenho a certeza que outras oportunidades virão.
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por dragao em Seg 19 Maio 2014, 08:27

Três suicídios na PSP com arma de serviço num mês e meio

Por Pedro Sales Dias
18/05/2014 - 21:43

Um polícia foi encontrado morto na Serra de Sintra este domingo. Agentes defendem o reforço dos meios do gabinete de psicologia da PSP e a criação de uma comissão que analise a situação e tome medidas.

No último mês e meio, três agentes da PSP decidiram pôr termo à vida recorrendo à arma de serviço. Todos estavam a ter acompanhamento psicológico e continuavam armados. O último, um agente de 26 anos, foi encontrado na manhã deste domingo com um tiro no peito, junto à Lagoa Azul, na Serra de Sintra. O facto de se registarem três casos em tão pouco tempo causa preocupação nas fileiras da PSP.
“Por vezes, desarmar os agentes tem efeitos negativos. É uma questão delicada. Esses agentes recebem menos salário. Ficam sem suplemento de patrulha e de turno e não podem fazer serviços [extras] remunerados. O gabinete de psicologia da PSP deve ser reforçado com mais pessoal. Com a crise e as dificuldades financeiras, há cada vez mais casos de agentes em situações difíceis”, disse ao PÚBLICO o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Policia (ASPP), Paulo Rodrigues.
O presidente do Sindicato Nacional da Polícia, Armando Ferreira, defende a criação de uma “comissão multidisciplinar transversal a todas as polícias para estudar o problema e encontrar as melhores medidas para evitar o aumento do fenómeno”.
Já o presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, António Ramos, considera que polícias com problemas psicológicos "devem ser logo desarmados”. A Direcção Nacional da PSP não respondeu às questões do PÚBLICO até à hora da publicação desta notícia.
A polícia encontrou o corpo do agente madeirense — que trabalhava na esquadra de Carcavelos, Cascais — pouco antes das 11h com a arma de serviço ao lado. Terá sido com ela que disparou o tiro fatal, garantiram ao PÚBLICO fontes policiais. Segundo os seus colegas, o agente estava a ser acompanhado pelo gabinete de psicologia da PSP. E teria sido avisado por uma hierarquia superior de que iria ser desarmado.
O aviso, sem o desarmamento imediato, terá perturbado ainda mais o jovem, que já antes havia sido retirado do curso de ingresso numa esquadra de turismo por estar com apoio psicológico.
Após esse aviso, o agente ficou incontactável e não aparecia ao serviço havia dois dias, pelo que a Divisão da PSP de Cascais lançou um alerta interno a todos os agentes, chegando mesmo a organizar meios de busca em alguns locais. O carro do polícia acabou por ser encontrado na noite deste sábado, mas a mata densa da serra de Sintra e a noite cerrada só permitiram a descoberta do agente na manhã de domingo.
A 12 de Maio, outro agente da PSP suicidou-se com um tiro na esquadra de Caxias, Oeiras. O polícia de 29 anos, que morreu já no hospital, tinha-se divorciado havia quatro meses e estava a ser acompanhado pelo gabinete de psicologia. Também neste caso, havia sido notificado para entregar a arma de serviço, o que não chegou a fazer.
Antes, a 3 de Abril, um agente da Divisão de Segurança Aeroportuária de Lisboa pôs termo à vida usando, em casa, a arma de serviço que lhe teria sido devolvida havia dois meses, depois de ter estado muito tempo desarmado. Nessa altura, os colegas ficaram admirados pela devolução da arma a um agente considerado em risco. O agente, que passou por uma doença grave e um divórcio que o perturbou, estava também a ser acompanhado psicologicamente.

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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Santos-Pika em Seg 19 Maio 2014, 10:44

Condolências a sua família e amigos, mais uma vez a instituição ignora assobiam para o lado como se nada fosse..
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Croco em Sex 04 Mar 2016, 20:43

GNR
Militares que se suicidaram não pediram ajuda a psicólogos da GNR
Há 23 minutos
Os nove militares da GNR que se suicidaram nos últimos três anos nunca pediram ajuda ao gabinete de Psicologia da instituição. Estudo revela que puseram termo à vida por razões familiares.

Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, fez protocolo com MInistério da Saúde
NUNO VEIGA/LUSA

[*]Os nove militares da GNR que se suicidaram nos últimos três anos nunca recorreram à linha de apoio psicológico disponibilizada desde 2007 pela GNR e terão cometido suicídio por razões familiares. Esta é uma das conclusões de um estudo que está ainda a ser desenvolvido em parceria com a Sociedade Portuguesa de Suicidologia e cuja conclusão foi avançada ao Observador pelo responsável pelo Gabinete de Psicologia da GNR, o tenente-coronel Ilídio Canas.
O Ministério da Administração Interna assinou esta sexta-feira um protocolo com a PSP e a GNR de forma a alargar e tornar mais rápido o acesso a consultas na área da Saúde Mental por parte dos polícias no Serviço Nacional de Saúde. A ideia é que caso seja detetado o risco de suicídio, que os polícias tenham acesso direto às consultas externas de Psiquiatria e Saúde Mental dos hospitais, sem terem que vir pelos centros de Saúde.

Tanto a GNR e a PSP já dispõem de gabinetes de Psicologia aos quais polícias e militares podem recorrer. No entanto, sempre que é necessário encaminhar um doente para uma consulta, os tempos de espera são altos e os riscos pela falta de acompanhamento e tratamento são maiores.
A linha de apoio psicológico da GNR foi criada em 2007 e conta com sete psicólogos disponíveis 24 horas por dia. Todos os meses recebe uma média de 20 a 25 chamadas de militares que se depararam com “problemas organizacionais, passionais ou mesmo com problemas de álcool e de droga“, refere ao Observador o tenente-coronel Canas. Há ainda quem telefone porque sofre de doença mental. Ou militares que alertam o gabinete de Psicologia porque um outro colega não lhes parece bem e há que sinalizar a situação.
Estamos a fazer palestras nesse sentido. Para os colegas estarem sensibilizados para isso”, refere o oficial.
Em 2015 a instituição teve cinco baixas por suicídio. No ano anterior tinha tido apenas uma e em 2013 três casos. Uma parte destes homens estava a ser acompanhado psicologicamente fora da instituição. Mas nenhum recorreu à linha de apoio para pedir ajuda. “Um estudo que está a ser feito com a Sociedade Portuguesa de Suicidologia concluiu que o suicídio estaria ligado a razões familiares. Embora seja necessário ter cuidado, porque nestes casos isso pode ser apenas um rastilho”, refere.
O tenente-coronel não acredita que os militares não recorram aos serviços de Psicologia a pedir ajuda por vergonha. “Não creio que isso aconteça”, afirma.
O gabinete de Psicologia além de encaminhar os militares para consultas no Serviço Nacional de Saúde, também presta apoio a familiares de militares mortos em serviço. O protocolo assinado esta sexta-feira vai ajudar precisamente nesse encaminhamento. “As consultas demoravam muito tempo e assim conseguimos uma rede mais alargada”, refere.
Para a PSP, que registou sete mortes por suicídio na instituição em 2015, este protocolo é ainda mais importante nas consultas psiquiátricas de urgência, que até aqui eram de difícil de acesso.
Na linha de apoio da PSP há também um elemento do gabinete de Psicologia em permanência. “Neste momento temos 24 psicólogos para acompanharem todas as situações”, explica ao Observador o porta-voz da Direção Nacional da PSP, o intendente Hugo Palma. “Com o protocolo pretende-se acelerar o encaminhamento destas situações”, diz.
O nosso Serviço Nacional de Saúde era lento, muito demorado e tinha algumas incongruências nas urgências psiquiátricas em momentos de crise”, explica.
Neste momento a PSP dispõe de psicólogos em Lisboa, Porto e Faro para prestar apoio direto. Nos outros comandos há uma rede de psicólogos a quem os polícias podem recorrer. Os Comandos de Vila Real, Viana do Castelo, Viseu e Portalegre não dispõem de consultas regulares. Uma situação que a PSP quer  alterada.
vehttp://observador.pt/2016/03/04/militares-suicidaram-nao-pediram-ajuda-psicologos-da-gnr/r
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por dragao em Sab 05 Mar 2016, 22:01

Militares que se suicidaram não pediram ajuda a psicólogos da GNR
Os nove militares da GNR que se suicidaram nos últimos três anos nunca pediram ajuda ao gabinete de Psicologia da instituição. Estudo revela que puseram termo à vida por razões familiares.Os nove militares da GNR que se suicidaram nos últimos três anos nunca recorreram à linha de apoio psicológico disponibilizada desde 2007 pela GNR e terão cometido suicídio por razões familiares. Esta é uma das conclusões de um estudo que está ainda a ser desenvolvido em parceria com a Sociedade Portuguesa de Suicidologia e cuja conclusão foi avançada ao Observador pelo responsável pelo Gabinete de Psicologia da GNR, o tenente-coronel Ilídio Canas.

O Ministério da Administração Interna assinou esta sexta-feira um protocolo com a PSP e a GNR de forma a alargar e tornar mais rápido o acesso a consultas na área da Saúde Mental por parte dos polícias no Serviço Nacional de Saúde. A ideia é que caso seja detetado o risco de suicídio, que os polícias tenham acesso direto às consultas externas de Psiquiatria e Saúde Mental dos hospitais, sem terem que vir pelos centros de Saúde.

Tanto a GNR e a PSP já dispõem de gabinetes de Psicologia aos quais polícias e militares podem recorrer. No entanto, sempre que é necessário encaminhar um doente para uma consulta, os tempos de espera são altos e os riscos pela falta de acompanhamento e tratamento são maiores.

A linha de apoio psicológico da GNR foi criada em 2007 e conta com sete psicólogos disponíveis 24 horas por dia. Todos os meses recebe uma média de 20 a 25 chamadas de militares que se depararam com “problemas organizacionais, passionais ou mesmo com problemas de álcool e de droga“, refere ao Observador o tenente-coronel Canas. Há ainda quem telefone porque sofre de doença mental. Ou militares que alertam o gabinete de Psicologia porque um outro colega não lhes parece bem e há que sinalizar a situação.

Estamos a fazer palestras nesse sentido. Para os colegas estarem sensibilizados para isso”, refere o oficial.
Em 2015 a instituição teve cinco baixas por suicídio. No ano anterior tinha tido apenas uma e em 2013 três casos. Uma parte destes homens estava a ser acompanhado psicologicamente fora da instituição. Mas nenhum recorreu à linha de apoio para pedir ajuda. “Um estudo que está a ser feito com a Sociedade Portuguesa de Suicidologia concluiu que o suicídio estaria ligado a razões familiares. Embora seja necessário ter cuidado, porque nestes casos isso pode ser apenas um rastilho”, refere.

O tenente-coronel não acredita que os militares não recorram aos serviços de Psicologia a pedir ajuda por vergonha. “Não creio que isso aconteça”, afirma.

O gabinete de Psicologia além de encaminhar os militares para consultas no Serviço Nacional de Saúde, também presta apoio a familiares de militares mortos em serviço. O protocolo assinado esta sexta-feira vai ajudar precisamente nesse encaminhamento. “As consultas demoravam muito tempo e assim conseguimos uma rede mais alargada”, refere.

Para a PSP, que registou sete mortes por suicídio na instituição em 2015, este protocolo é ainda mais importante nas consultas psiquiátricas de urgência, que até aqui eram de difícil de acesso.

Na linha de apoio da PSP há também um elemento do gabinete de Psicologia em permanência. “Neste momento temos 24 psicólogos para acompanharem todas as situações”, explica ao Observador o porta-voz da Direção Nacional da PSP, o intendente Hugo Palma. “Com o protocolo pretende-se acelerar o encaminhamento destas situações”, diz.

O nosso Serviço Nacional de Saúde era lento, muito demorado e tinha algumas incongruências nas urgências psiquiátricas em momentos de crise”, explica.
Neste momento a PSP dispõe de psicólogos em Lisboa, Porto e Faro para prestar apoio direto. Nos outros comandos há uma rede de psicólogos a quem os polícias podem recorrer. Os Comandos de Vila Real, Viana do Castelo, Viseu e Portalegre não dispõem de consultas regulares. Uma situação que a PSP quer ver alterada.
Fonte: observador
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por CARI2013 em Dom 06 Mar 2016, 17:58

http://recil.grupolusofona.pt/bitstream/handle/10437/1255/Tese%20de%20Jos%C3%A9%20Cardoso%2020086077%2030DEC2010.pdf?sequence=1
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por Croco em Sab 30 Abr 2016, 15:39

Entrevista

Estudo sobre suicídios na PSP estará pronto até ao final deste ano
Por  São José Almeida ,  Nuno Ribeiro e  Pedro Sales Dias  
30/04/2016 - 07:19

A recuperação de edifícios da GNR e da PSP será gradual, devido à falta de recursos, anuncia a ministra, explicando que os critérios de escolha das prioridades obedecem a questões de operacionalidade.
Há três Kamov "perfeitamente operacionais", um destes em manutenção, mais um destruído e dois à espera de reparação. E quatro helicópteros ligeiros.
Como está o Plano de Prevenção do Suicídio nas Forças de segurança e para quando a calendarização das medidas?
O grupo de trabalho sobre suicídio concluiu os seus trabalhos e uma das medidas foi a criação de uma espécie de "via verde" para os serviços de psiquiatria do Serviço Nacional de Saúde para que as pessoas que já estão referenciadas tenham um acesso directo. Outra das conclusões a que chegou foi a necessidade de elaborar um estudo científico sobre o perfil psicológico e os factores de risco. E com base nesse estudo, que também nos vai levar aos factores de maior risco, poderemos actuar numa base que seja sustentada e não numa base que seja apenas casuística. Este é um assunto demasiado sério para ter explicações simplistas, de causa-efeito, sem qualquer sustentação. É algo demasiado sério para se entrar por um caminho de facilitismo.
Quando estará concluído?
Esse estudo foi adjudicado e pensamos que estará concluído até ao final deste ano.
Confirma o levantamento sobre infra-estruturas da PSP e da GNR para a sua recuperação? Quando arranca e quanto custa?
Temos um orçamento de 17 milhões de euros para pagar compromissos do Governo anterior, através sobretudo de protocolos celebrados com câmaras e que estão em execução. E estamos a fazer um levantamento exaustivo, não só de todas as infra-estruturas da GNR e da PSP — e as da GNR são em número muito significativo porque abrange todo o território —, mas também das suas condições e operacionalidade. Ou seja, saber qual é a actividade do posto A, B, e C, quantas pessoas atendeu e fazer uma escolha criteriosa. As condições económicas e financeiras não vão permitir que de hoje para amanhã nem que num ano se possa investir tudo e colocar todos os postos da GNR e esquadras da PSP novinhas em folha. Teremos de ter prioridades e estas serão naturalmente o estado de degradação, a operacionalidade, ou as necessidades daquele equipamento. Isso tem que ser feito com critérios muito rigorosos.
Critérios regionais?
Esses critérios também existirão, naturalmente. Agora é preciso olhar para o mapa com serenidade, sem paixão, e tentar verificar onde é que nós temos as infra-estruturas mais degradadas. Avaliar se aquelas infra-estruturas são mesmo adequadas ou necessárias. Não podemos esquecer que muitas dessas infra-estruturas criadas ao longo das últimas décadas, e sobretudo na GNR, estão concebidas para o Portugal dos anos 40. Muitas dessas infra-estruturas na PSP também estão concebidas, nalgumas zonas, para um Portugal que não tinha estradas, que não tinha vias de acesso que hoje felizmente tem. Por vezes, nós temos esquadras que distam um quilómetro ou mesmo 800 metros uma da outra. Isso acontece mais em Lisboa, mas também temos noutros sítios postos que distam três ou quatro quilómetros um do outro.
Vai ser abatido um Kamov. Dos seis que foram comprados há dez anos, quantos estão operacionais?
Neste momento, temos três Kamov perfeitamente operacionais, um está em manutenção — estes meios aéreos têm sempre de ter uma manutenção periódica —, para a época de incêndios. Temos um Kamov que foi destruído e cuja reparação é extremamente dispendiosa ou mesmo tecnicamente impossível porque se despenhou. E temos dois Kamov inoperacionais que estão neste momento a ser alvo de um levantamento de todas as necessidades para um caderno de encargos — é uma tarefa absolutamente gigantesca porque não é a mesma coisa que reparar um carro — para se ter em concurso a reparação destes dois Kamov que são reparáveis. Os helicópteros ligeiros estão operacionais, prontos para serem utilizados a qualquer momento.
Vai fazer auditoria à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC)?
Neste momento não tenho nenhuma auditoria planeada à ANPC.
As suspeitas de corrupção neste organismo não a preocupam?
Se existir corrupção neste organismo, existe também, que eu saiba, uma polícia que é competente, que é a PJ, que deve actuar. Naturalmente que estou atenta e estamos todos atentos no MAI a todos os serviços. E se houver suspeitas fundadas de corrupção, o gabinete da ministra será o primeiro a enviar para o Ministério Público qualquer suspeita que exista para ser investigada por quem de direito.
Existe um inquérito-crime e a PGR fala de suspeitas na contratualização...
Existe um processo em curso que eu não vou comentar, que desconheço na sua integralidade. Não sei, nem posso saber, os factos que [dele] constam. Neste momento, em vários aspectos da actividade da ANPC, existe naturalmente a actuação da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) que, além de ter intervenção em processos disciplinares, também faz auditorias a serviços. Faz parte do seu programa de trabalhos anual fazer esse tipo de auditorias.
Vai pedir à IGAI mais atenção?
A IGAI tem de ter uma atenção redobrada em todos os aspectos que considere. A IGAI é uma inspecção-geral que deve manter um certo grau de autonomia. Não é por acaso que é gerida por uma magistrada e que tem ao serviço muitos magistrados. Portanto, não pode ser instrumentalizada pelo poder. Agora todos os aspectos que pareçam menos claros devem ser naturalmente objecto de auditorias por parte da IGAI, seja na ANPC, seja na PSP, seja na GNR.
Como vê a militarização da linguagem na Protecção Civil?
A ANPC, pelas suas competências de coordenação e operacionais, tem de ter uma certa disciplina. Se se refere ao facto de ao nível do seu comando estar um general do Exército, eu penso que isso não implica necessariamente a militarização de um serviço que se quer civil. Por isso é que uma Protecção Civil não tem nada a ver com a Defesa, nem a Defesa se deve imiscuir na Protecção Civil. Quando muito, a Defesa pode apoiar a Protecção Civil.
https://www.publico.pt/politica/noticia/estudo-sobre-suicidios-na-psp-estara-pronto-ate-final-deste-ano-1730537?page=-1
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por CARI2013 em Qui 12 Maio 2016, 23:38

Polícia suicida-se em casa da mãe com a arma de serviço em 12/5/2016

«António Broa, 42 anos, casado, pai de duas raparigas, agente do Comando Distrital de Beja da PSP, colocou, esta quinta-feira, (12/5/2016, termo à vida, utilizando a arma de serviço.

Residente em Ferreira do Alentejo, esteve de serviço na Esquadra de Beja até às 7.00 horas. Cerca das 20.15 horas, em casa da mãe, disse à progenitora que ia descansar, deitou-se e com a pistola de serviço deu um tiro na cabeça.
A ação terá sido premeditada tendo em conta que deixou todo o material da PSP arrumado em sacos: armas, carregadores, cinto, algemas, bastão, botas e fardas de trabalho. A farda principal estava impecavelmente pendurada num cabide na porta do guarda-fato.
Ainda não são conhecidas razões que levaram o agente a colocar termo à vida.
No local estiveram militares do Núcleo de Investigação Criminal da GNR, 3 operacionais dos Bombeiros de Ferreira do Alentejo, apoiados por duas viaturas. O corpo foi removido para o Gabinete Médico-Legal do Hospital de Beja, onde será autopsiado.
Segundo um estudo da subcomissária Sílvia Caçador, o suicídio é a principal causa de morte não natural entre os agentes da Polícia de Segurança Pública. O problema pode estar relacionado "com uma falta de acompanhamento psicoafectivo e com as dificuldades em lidar com os problemas diários da profissão", diz a autora.
Em 2015, foram registados oito suicídios na PSP. Em 2011, sete agentes colocaram termo à vida. Na GNR, segundo dados do Ministério da Administração Interna, registaram-se 11 suicídios em 2008 e oito em 2009 com oito casos. O ano passado, registaram-se sete suicídios.»
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Admin Re: Suicídio dos elementos das Forças de Segurança

Mensagem por jomarabu em Sex 13 Maio 2016, 09:51

Mais um dia triste para todos.
Um grande amigo que tive o privilégio de privar na sua companhia durante muitos anos.
Ainda fizemos muitos trabalhos na IC juntos.
Paz à tua alma Broa.
Sentidas condolências a toda a sua família.
 :Triste a chorar:
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