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Cavaco Silva põe pressão sobre o Governo
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Cavaco Silva põe pressão sobre o Governo
Nova estratégia e a garantia de meios para as polícias: o presidente diz-se preocupado com a criminalidade
O ministro da Administração Interna inverteu o discurso e anunciou uma nova medida para o reforço do combate ao crime violento. Mas nem isso foi suficiente para deixar o presidente da República descansado.
Esta quarta-feira, numa deslocação a Odemira, Cavaco Silva dirigiu-se aos jornalistas para deixar um sinal de alerta: "A onda de assaltos e crimes violentos que se tem vindo a verificar no nosso país é uma coisa muito séria". E, no entender do chefe de Estado, a situação exige outra intervenção do Estado.
Em síntese, o que Cavaco pede ao Governo são novas medidas para combater um novo fenómeno criminal e meios para que as forças de segurança cumpram a sua função: "É preciso adaptar a estratégia", explicou o presidente, acrescentando "esperar que (as polícias) tenham os meios e instrumentos necessários" para desempenhar a sua função.
Quase em simultâneo com as declarações de Cavaco, surgia nas redacções um comunicado do Ministério da Administração Interna anunciando uma nova medida, precisamente para combater esta nova realidade: a criação de brigadas especiais nos DIAP, em coordenação com o Procurador Geral da República (PGR), para processar a ligação entre o Ministério Público (MP), a PSP, a GNR e o SEF (ver texto ao lado).
A medida, porém, é uma inversão da estratégia do próprio MAI. É que cinco dias antes, Rui Pereira deu uma entrevista à SIC onde recusou a necessidade de novas medidas. "O que tem acontecido em Portugal nos últimos dias prova categoricamente que aquilo que temos feito é correcto", limitou-se a sublinhar o ministro, no dia em que a direcção do PSD pedia a sua demissão.
Dentro do Governo, admitia-se ontem que Pinto Monteiro e Rui Pereira estão há vários dias a estudar a nova realidade. Uma coordenação que o núcleo duro do Governo garante estar a ser "impecável", mas a que não será alheio o aviso prévio de que Pinto Monteiro iria pronunciar-se esta semana sobre o assunto. A coordenação - que também incluiu Alberto Costa, o ministro da Justiça, propositadamente mantido num segundo plano por Sócrates - não impede que o Executivo esteja hoje de sobreaviso para o teor da comunicação de Pinto Monteiro -para mais quando essa intervenção foi ontem muito valorizada por Cavaco.
O maior receio entre os socialistas é que o PGR volte a criticar o novo Código de Processo Penal (CPP). "A única alteração na política do Governo é esta: tem que haver melhor articulação", garantia ontem uma fonte bem colocada. Ou seja, o Governo não alterará uma vírgula ao CPP, explicando que "não é na espuma dos dias" que nele se farão alterações.
Ontem também, antes ainda das palavras de Cavaco Silva, o PS tentava sacudir a pressão, recusando discutir a criminalidade dos últimos dias na Assembleia da República, a pedido do CDS: "Não entendemos que a situação seja de tal forma extraordinária que fundamente a convocação extraordinária da comissão permanente", dizia Ricardo Rodrigues. O MAI só deverá ir à AR em Setembro.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1005714
O ministro da Administração Interna inverteu o discurso e anunciou uma nova medida para o reforço do combate ao crime violento. Mas nem isso foi suficiente para deixar o presidente da República descansado.
Esta quarta-feira, numa deslocação a Odemira, Cavaco Silva dirigiu-se aos jornalistas para deixar um sinal de alerta: "A onda de assaltos e crimes violentos que se tem vindo a verificar no nosso país é uma coisa muito séria". E, no entender do chefe de Estado, a situação exige outra intervenção do Estado.
Em síntese, o que Cavaco pede ao Governo são novas medidas para combater um novo fenómeno criminal e meios para que as forças de segurança cumpram a sua função: "É preciso adaptar a estratégia", explicou o presidente, acrescentando "esperar que (as polícias) tenham os meios e instrumentos necessários" para desempenhar a sua função.
Quase em simultâneo com as declarações de Cavaco, surgia nas redacções um comunicado do Ministério da Administração Interna anunciando uma nova medida, precisamente para combater esta nova realidade: a criação de brigadas especiais nos DIAP, em coordenação com o Procurador Geral da República (PGR), para processar a ligação entre o Ministério Público (MP), a PSP, a GNR e o SEF (ver texto ao lado).
A medida, porém, é uma inversão da estratégia do próprio MAI. É que cinco dias antes, Rui Pereira deu uma entrevista à SIC onde recusou a necessidade de novas medidas. "O que tem acontecido em Portugal nos últimos dias prova categoricamente que aquilo que temos feito é correcto", limitou-se a sublinhar o ministro, no dia em que a direcção do PSD pedia a sua demissão.
Dentro do Governo, admitia-se ontem que Pinto Monteiro e Rui Pereira estão há vários dias a estudar a nova realidade. Uma coordenação que o núcleo duro do Governo garante estar a ser "impecável", mas a que não será alheio o aviso prévio de que Pinto Monteiro iria pronunciar-se esta semana sobre o assunto. A coordenação - que também incluiu Alberto Costa, o ministro da Justiça, propositadamente mantido num segundo plano por Sócrates - não impede que o Executivo esteja hoje de sobreaviso para o teor da comunicação de Pinto Monteiro -para mais quando essa intervenção foi ontem muito valorizada por Cavaco.
O maior receio entre os socialistas é que o PGR volte a criticar o novo Código de Processo Penal (CPP). "A única alteração na política do Governo é esta: tem que haver melhor articulação", garantia ontem uma fonte bem colocada. Ou seja, o Governo não alterará uma vírgula ao CPP, explicando que "não é na espuma dos dias" que nele se farão alterações.
Ontem também, antes ainda das palavras de Cavaco Silva, o PS tentava sacudir a pressão, recusando discutir a criminalidade dos últimos dias na Assembleia da República, a pedido do CDS: "Não entendemos que a situação seja de tal forma extraordinária que fundamente a convocação extraordinária da comissão permanente", dizia Ricardo Rodrigues. O MAI só deverá ir à AR em Setembro.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1005714

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